A maldição do crack

Por em 3 de fevereiro de 2012

Caros amigos, infelizmente em nosso país é muito comum brincarmos com coisas sérias, o que se traduz inevitavelmente em consequências muito danosas para a nossa sociedade, na maioria das vezes com resultados lamentáveis…

Tratamos os casos de corrupção como algo costumeiro, como algo natural em uma sociedade moderna, e a maior consequência é a impunidade dedicada aos corruptos, o que os torna regra ao invés de serem mantidos como exceção, e da corruptela aos crimes de alta corrupção, são tratados com a maior singeleza, leniência que chega ao cúmulo da complacência…
A corrupção está de tal forma incluída no nosso dia a dia, que já são sete ministros apeados do poder por suspeitas de corrupção, e estes são substituídos com a maior complacência pelos governantes, e tudo continua como d’antes no quartel de Abrantes (entenda-se na Democratura dos sindicalistas)…

Mas vamos nos manter no ponto central desta crônica, há muitos anos que as drogas estão destruindo famílias em nosso país, e a legislação e os legisladores, fazem vistas grossas, mantendo uma leniência para o problema, como se tivéssemos obrigatoriamente de aceitar como caminho sem volta, a destruição de nossa juventude, de braços cruzados, vendo nossos filhos serem mortos pelos caminhos das drogas…

Não sei se por ignorância, falta de interesse, ou sei lá o que, o combate às drogas é feito pelas polícias estaduais e federal sem a elaboração de um planejamento, que vá desde a entrada das drogas em nossas fronteiras até a criminalização dos traficantes de forma enérgica e eficaz, o que vemos são atuações, com muita boa vontade, dos nossos policiais que atacam o varejo das drogas, ficando a distribuição no atacado sem um tratamento eficaz…

O governo do Estado de São Paulo, após muitos anos de aceitação ou complacência, atacou a área de Cracolândia, tentando fazer com que os zumbis em que foram transformados os nossos cidadãos que lá habitam fossem retirados das ruas e tentando leva-los para locais de tratamento de viciados, mas parte de nossa mídia, está execrando a atuação dos governos estadual e municipal, mas parecendo uma briga politica do que propriamente real interesse na solução do problema…

Vamos aclarar esta situação o problema das drogas, não é só um problema dos governos federal, estaduais e municipais, é verdadeiramente um sério problema de nossa sociedade, visto que os “barões das drogas” em razão da forma leniente com que são tratados, já conseguiram invadir nossas instituições, o que faz com que as medidas a serem tomadas, sejam sempre evitadas, retardadas, rediscutidas, reavaliadas, o que propicia a sobrevivência e a perpetuação da atuação dos traficantes…

A situação é tão perigosa que já existem defensores da descriminalização das drogas, que estas sejam tonadas lícitas e possam ser comercializadas “sob controle do estado”, seria risível se não fosse trágico e lamentável, estas ideias esdrúxulas, e inconcebíveis para qualquer cidadão preocupado com os caminhos de nossa sociedade.
Sem dúvida alguma que viciado e traficante devam ter tratamentos diferenciados, porém até onde vai à distância entre um e outro, visto que, na maioria das vezes o viciado se transforma em traficante para sustentar o seu vício.

É lógico que o combate às drogas passa fundamentalmente por um trabalho recuperação dos viciados, que requer a existência de clínicas de recuperação, de um trabalho de assistência social aos viciados e às suas famílias, para que consigamos efetivamente atacar o problema com eficácia, e que obtenhamos níveis aceitáveis de recuperação…

Triste da família que tem um de seus membros atacado pelo vício das drogas, gastará o que tem e o que não tem, nem sempre com resultados satisfatórios de recuperação, pois o estado não libera recursos suficientes para ataque ao processo de recuperação dos que estão sob o domínio das drogas…

Dirão alguns que não existem recursos disponíveis para tal, outros ainda mais cínicos tentarão justificar a criação de mais um imposto, só não veremos quem assuma que o que falta é interesse político na solução do problema…

A Cracolândia é somente a ponta do iceberg da tormenta das drogas, pelo país afora temos milhares de cracolândias escondidas sob os tapetes do desinteresse…

Não adianta agora o governo federal investir em campanhas publicitárias inócuas, visto que o viciado em crack, não está vendo televisão junto a sua família para ser sensibilizado pelo apelo: “sai desta vida cara, seja esperto largue a droga”, ao invés desta peça publicitária, que tal se investíssemos na criação de clinicas de recuperação e de um trabalho sério e efetivo junto aos jovens nas escolas, desde o ensino fundamental…

A benevolência com que tratamos os traficantes em nosso país diverge completamente de outros países onde os traficantes são passíveis de prisão perpétua e até da pena de morte, me questiono até que ponto não estamos realimentando a traficância de drogas com a benevolência de nossas penas???

Devemos questionar, até que ponto a internação para tratamento de viciados deve ser consentida, será que alguém que esteja sob o domínio do vício está apto a decidir sobre a sua saúde física se a sua saúde mental já está comprometida, dirão os legalistas de plantão: “a internação forçada quebra o respeito aos direitos humanos”, será que nossa constituição permite a prática do suicídio?

Acooorda Brasiiil, vamos parar de agir com hipocrisia e com as falsas atitudes, vamos enfrentar az questão das drogas com eficácia e seriedade, pois, os traficantes estão ganhando este jogo de goleada e nossa sociedade está refém dos traficantes…

Prof. Carlos Justino da Silveira

Graduado em Pedagogia, Mestre em Administração de Empresas e Controladoria, atua na área de ensino, e atualmente em Consultoria e treinamento de pessoal, sendo Professor de Administração e Gestão Manufatureira e de Serviços do Centro Universitário de Santo André – UNIÁ.