Democratas de ocasião…

Por em 7 de fevereiro de 2013

Caros amigos seria risível se não fosse trágico, mas vivemos em nosso país uma enganação desvairada, onde o comportamento dos homens que habitam a nossa política é simplesmente uma lástima em relação aos princípios democráticos, visto que mudam de acordo com a ocasião ou o propósito do momento.

Aliás, é importante ter em mente que muitos dos que se dizem defensores da democracia, ou mentem desvairadamente, ou não simplesmente desconhecem o verdadeiro entendimento do termo.

É inaceitável, em qualquer país do mundo que tenha escolhido a democracia como base da sua sociedade, que homens públicos se arvorem do direito de desrespeitar as instituições, a Constituição e os mais comezinhos princípios éticos e morais.

Não podemos entender como alguém que tenha participado da luta armada em tempos recentes, minta hoje de forma deslavada, dizendo que o fez na defesa da democracia, pois em defesa dela nunca caberia sequestrar pessoas ou autoridades, roubar bancos e apropriarem-se de somas vultosas, jamais devolvidas ou encontradas, estas atividades não tem nada de democráticas.

O viés autoritário destes enganadores, destes pseudos democratas, emerge em suas práticas atuais, quando de forma despudorada aprisionam o Congresso Nacional, e o transformam em um “mero cartório a chancelar as Medidas Provisórias”, como se estivéssemos numa republiqueta das bananas…

O autoritarismo está presente na necessidade incontida de aprisionarem a imprensa nacional, tentando podar-lhe a liberdade de expressão, ou cooptando-a através da publicidade oficial, onde as verbas destinadas a investimentos na infra estrutura são destinadas à publicidade do “Brasil do Éden”, com seus programas sociais mirabolantes que não saem do papel, mas são mais alardeados do que as vitórias do coringão…

O conceito de que são donos das verdades e do país está demonstrado nas campanhas próprias ou das organizações sindicais cativas a este grupelho de políticos inconsequentes, que pretendem pala força das manifestações em praça pública, desmentir as decisões do STF – Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Penal 470, o qual condenou através de um julgamento transparente, todos os “pseudos democratas” que estiveram envolvidos na maior vergonha política deste país, parafraseando um deles “nunca antes neste país, se usou o dinheiro público para cooptar políticos em favor de um projeto de poder”, onde o maior chefe deles, ainda não condenado, disse: “que não sabia de nada” (sabia), “que foi traído pelos companheiros” (quais companheiros?), “que o PT e os companheiros precisam pedir desculpas ao país” (desculpas do que?)…

Decisões judiciais não são para serem discutidas, após a definição da pena aos condenados, após os infindáveis recursos cabíveis (e no Brasil a nossa legislação peca pelo exagero de recursos), os condenados devem iniciar o cumprimento de suas penas, independentemente da qualidade de nossas prisões, mesmo porque conforme art. 5º. da Constituição Federal: “todos são iguais perante a lei”, ou será que os companheiros se acham mais iguais do que os outros…

De nada adianta a tentativa de sublevação da ordem institucional, aonde um presidente da Câmara dos Deputados chega ao cúmulo de declarar em alto e bom som de que “não irá respeitar a decisão do STF, e que a cassação dos quatro deputados condenados depende de aprovação da Câmara” acorde senhor Henrique Alves os seus 42 anos de política não lhe garantem condições excepcionais de cidadania, no regime democrático o senhor deve respeito os preceitos constitucionais como qualquer outro cidadão deste pais…

E ao senhor José Dirceu, recolha-se a sua insignificância de cidadão condenado por uma ação penal do STF, não estamos num regime de exceção, e considerando que o senhor se declara um dos lutadores pela restauração da Democracia brasileira (o que a sua história desmente), para de insuflar seus companheiros pelo desrespeito a esta democracia, errou, foi julgado, condenado, cumpra a sua pena com dignidade (espero que o senhor a tenha)…

E as centrais sindicais, os movimentos estudantis, as entidades de classe, e os partidos políticos que usem a sua força para objetivos honestos, não se prestem a funcionar como “massa de manobra” para defender os indefensáveis, o Poder Judiciário tem o dever de julgar e condenar os desvios comportamentais dos cidadãos brasileiros tenham eles “colarinho branco”, “calça rasgada”, ou “cueca repleta de dólares”, “todos são iguais perante a lei”, muito embora alguns espertos se achem mais iguais do que outros, e queiram que a justiça funcione só para os 3PS.

Acooorda Brasiiil, e fiquemos todos nós muito atentos, pois não faltam “democratas de ocasião” para achar que as nossas cadeias não são dignas de receberem seus companheiros, e que os julgamentos foram políticos, etc.etc.etc., lugar de quem desrespeita a lei e na cadeia, em qualquer “Regime Democrático do Mundo”, ou será que nosso país será uma exceção…

Prof. Carlos Justino da Silveira

Graduado em Pedagogia, Mestre em Administração de Empresas e Controladoria, atua na área de ensino, e atualmente em Consultoria e treinamento de pessoal, sendo Professor de Administração e Gestão Manufatureira e de Serviços do Centro Universitário de Santo André – UNIÁ.