Da série: projetos imbecis…

Por em 28 de fevereiro de 2013

Caros amigos, continuando a série “projetos imbecis” segue um do deputado estadual fluminense Marcos Soares, filho do missionário RR Soares:

“Art. 1º – A Rede Pública Estadual de Saúde e/ou clínicas e hospitais particulares conveniados com o Sistema Único de Saúde – SUS, poderão realizar cirurgia plástica reparadora para remoção de tatuagem, ouvida a Junta Médica de Inspeção de Saúde Especial, nos seguintes casos:

I – Pacientes com idade até trinta anos e que comprove inscrição em concurso público, cujo edital estabeleça reprovação prévia no caso de candidato com tatuagem.

II – Paciente que em virtude de sua profissão de fé, demonstre arrependimento, abalo psicológico e/ou constrangimento em permanecer com a tatuagem.

Justificativa:

(…) Podemos citar também as pessoas que fizeram tatuagem por modismo, antes de se converterem a alguma religião, hoje se tornaram entraves nas na suas vidas, fazendo com que experimentem inúmeros constrangimentos frente aos membros de sua congregação.”

Vamos avaliar a proposta acima com a maior imparcialidade possível, distante de qualquer viés religioso, mas devemos entender que a execução de uma tatuagem é uma decisão pessoal e, portanto deve ser respeitada por todos, como um direito de qualquer cidadão desenhar em sua pele o que bem entender, não cabendo em razão desta escolha qualquer discriminação.

Da mesma forma o fato de determinada pessoa desejar limpar sua pele de tatuagens feitas anteriormente, continua sendo uma decisão pessoal, não devendo sê-lo feito sob a pressão de quem quer que seja, sob qualquer pretexto, sejam de orientação social, cultural ou religiosa.

Agora querer definir que cabe ao estado, ou melhor, à sociedade arcar com os custos da remoção de tatuagens deve ser entendido como piada e de mau gosto, visto que em momento algum eu defini que fulano ou beltrano fizesse tatuagens, portanto, o meu suado imposto pago com muito sacrifício deve ser direcionado para este fim…

Senhor deputado suas prioridades deveriam estar direcionadas para o péssimo atendimento disponibilizado pelo SUS aos infelizes que dependem da saúde pública, que ficam horas e horas a espera de atendimento nos postos do SUS ou deitados em macas, ou ainda deitados no chão, teoricamente por falta de recursos, o que em realidade é por falta de respeito ao cidadão comum, que só lhe resta reclamar com Deus, pois os seus representantes políticos da área municipal, estadual e federal estão mais preocupados com seus interesses pessoais ou partidários…

Vamos ser práticos, se determinada instituição não aceita entre seus membros pessoas que tenham tatuagens, que arque a referida instituição com os custos da retirada das tatuagens, porém jamais vamos poder aceitar que estes custos sejam assumidos pelo SUS, visto que o mesmo já presta um péssimo serviço à sociedade, sempre com a maldita alegação da falta de recursos…

Ou ainda dentro das idéias de altruísmo demonstradas pelo deputado, porque os deputados e demais políticos não destinam parte de seus polpudos rendimentos para atender aos custos de suas infelizes idéias, que sempre desembocam nos recursos públicos que nós entregamos ao governo de forma obrigatória e não optativa.

Acooorda Brasiiil, pois os nossos representantes políticos estão mais preocupados em jogar para a torcida, do que propriamente desempenhar as suas funções em prol da sociedade…

Prof. Carlos Justino da Silveira

Graduado em Pedagogia, Mestre em Administração de Empresas e Controladoria, atua na área de ensino, e atualmente em Consultoria e treinamento de pessoal, sendo Professor de Administração e Gestão Manufatureira e de Serviços do Centro Universitário de Santo André – UNIÁ.