Fim dos Dias Santos

Por em 1 de junho de 2013

Período anterior à revolução política no Brasil era cheio de feriados e dias santos. O ano já começava assim, com a festa dos Reis, no dia 6 de janeiro. Mesmo não sendo período escolar, as crianças curtiam a data com a missa logo pela manhã e a chegada dos reis magos até o menino Jesus e comendo as últimas frutas natalinas, que hoje não dá para comprar… Castanhas, nozes, avelãs faziam a festa da garotada. Falei em revolução pois foi com ela que os Dias Santos se acabaram no calendário.

Depois da Páscoa, a Ascensão de Jesus também era Dia Santo e o trabalho e aula era suspenso. Missa com homilia apropriada e diversão o resto do dia. Mas bom mesmo era mês de junho, com muita quadrilha, festa junina e feriados escolares. Dia 13, Santo Antonio, dia 24, São João e 29, São Pedro. Na véspera de cada um desses dias vizinhos se reuniam para dançar quadrilha, pular fogueira, tomar quentão, comer batata doce, pinhão, bolo de fubá e se divertir contando balões no céu. E o gostoso é que no outro dia não tinha escola.

Depois de junho porém, os feriados diminuíam, quase desapareciam. Tinha apenas os de hoje: 7 de setembro, em outubro não tinha, pois o Governo instituiu após a visita do Papa ao Brasil, em novembro o feriado era nos dois dias: 1º e dia 2: Todos os Santos e Finados. Nestes dias, todas as linhas de ônibus iam até o cemitério, mas a passagem ficava mais cara. Foram criados outros feriados agora, por conta dos governos do Estado, do Município e do Federal. O Estado criou o 9 de julho, o Municipal criou o 15 de agosto e o Federal, o 20 de novembro.

A outra vantagem de hoje em dia é que as escolas não têm aulas aos sábados, como acontecia nas décadas de 1950 e 1960. Mas os feriados, hoje, emendam-se com os finais de semana. Em alguns locais – e isso já aconteceu por aqui – o feriado do dia 15 de novembro caindo de quinta e o do dia 20, caindo na terça, era comum ver pessoas saindo do trabalho numa quarta e só voltando na quarta seguinte. Tudo para se curtir datas comemorativas!

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/