Amor de Maio

Por em 19 de agosto de 2013

Doce outono, as praças estavam cobertas de folhas rajadas, o vento tocava o som de uma nova estação. O calor se foi e nesta nova estada, roupas compostas, chocolate quente e um clima tentador de paixão. Ele nunca esquecerá como conheceu Lygia.

Era uma noite estalada de estrelas, eles estavam no Empório do Mar. Ela, irresistível, num vestido demarcando suas curvas, lábios rubros açucarados, a leveza do perfume de uma rosa. Ele galanteador, social, de poucas palavras, certeiras; e foi em uma rosa a proposta de uma noite.

Como poderia rejeitar a proposta de uma dança. Como disfarçaria o brilho do encanto no olhar. Palavras doces ao pé do ouvido, um certo charme em resistir e uma extrema vontade de se entregar sem limites. Eles estavam pegando fogo. Os beijos bem mais que beijos, os corpos em ebulição. Dois estranhos, dois amantes completamente apaixonados.

Giovanni e Lygia não aguentaram chegar ao apartamento. Eles se possuíram na escada como animais. Ela gemia como uma loba em êxtase e ele entrava em uma nova dimensão de prazer. Ambos eram insaciáveis e foram se amando sem pudor em cada canto possível. Hora em silêncio em locais públicos quando se acariciam por baixo das mesas e se encontravam nos banheiros.

Hora como devassos animais no cio, atrás das árvores, nas areias da praia, nas livrarias. Ela era uma dama na sociedade e uma prostituta na cama. Lygia fechava com os sonhos de qualquer homem e Giovanni correspondia suas expectativas. Ela gostava do sotaque italiano ao pé do ouvido enquanto a barba lhe arranhava a face lisa e perfumada. Feitos um para o outro era o que pensavam.

O caminho para Giovanni seria mais difícil, depois de quase um mês no Brasil, chegara a hora de voltar para a sua família, para o seu mundo, muito embora soubesse que Lygia havia pulverizado seu coração para sempre. Seria independente de qualquer coisa, o amor de maio de todas as suas estações. Ele comprou a passagem para o dia seguinte, voo 5447, 09:00 AM e se amaram aquela noite como se não houvesse amanhã.

Eles chegaram ao extremo, onde não cairia nem mais uma gota de suor e caíram desmaiados. Devido ao cansaço ele perdeu o voo e resolveu acordar Lygia para recomeçar. Ela já estava fria. Seu coração parou durante a noite e se foi da maneira mais sorridente possível. Ele fica desconsolado sem saber o que aconteceu e procura alguém que a conhecesse.

Em sua bolsa o telefone de uma amiga e então ele liga. Com lágrimas nos olhos avisa o que aconteceu e pergunta se ela tinha algo. A amiga chorou e logo após sorriu dizendo: _ Ela foi feliz. Da última vez que conversamos, ela me disse que sairia linda e que encontraria o amor da vida dela em um bar. Que o amaria como se não houvesse amanhã e que ela só tinha 30 dias para isto. Sem palavras Giovanni chora sentindo seu coração ruir ainda abraçado ao corpo. A estrutura de um homem sem palavras se dissolveu, parecia que a alma estava a ponto de ser corroída e o telefone toca. Uma ligação internacional em prantos.

A expressão que ecoa da linha era algo como: Deus seja louvado. Ele liga a TV e não acredita no que os seus olhos vêem. O vôo 5447 caiu no meio do oceano e não houve sobreviventes. Neste momento o homem olha aos céus e aperta um crucifixo até sangrar-lhe a mão e diz ainda com lágrimas nos olhos: Senhor de toda criação, rege meu destino conforme a sua vontade. E você, acredita no destino?

Dam Nascimento

Dam Nascimento - Graduado em Comunicação Social com Ênfase em Publicidade e Propaganda, tem três publicações em anuários de iniciação científica, um livro e duas participações em antologias literárias; atua na área de representação e treinamentos.          site: www.freewebs.com/cronistadam