Pesquisa aponta problemas de visão no futebol

Por em 7 de novembro de 2013
Ilustração

64% dos jogadores que não enxergam bem entram em campo sem correção visual. Cirurgia refrativa está cada vez mais segura.

No país do futebol o fato de nenhum jogador usar óculos em campo não significa que todos enxergam bem. Entre os famosos Pelé, Kaká, Romário e Alex são alguns exemplos de craques com problemas de visão.

Apesar das lentes de contato serem uma opção segura durante a prática do esporte 64% dos jogadores que não enxergam bem entram em campo sem correção visual, e 1 em cada 4 atletas nunca fez exame de vista. Este é o resultado de um levantamento realizado pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier de Campinas, Leôncio Queiroz Neto.

O estudo foi desenvolvido com 80 jogadores da Confederação Paulista de Futebol.  Dos entrevistados 27 ou 34% têm problemas na visão.  Desses só 10 (36%) usam lentes de contato durante os treinos e jogos, 46% usam óculos quando estão fora do campo e 18% não corrigem.

O especialista explica que o bom desempenho nos esportes está diretamente relacionado à qualidade da visão que responde por 85% de nossa integração com o meio ambiente. Isso significa que a falta de correção visual impede a revelação de novos craques.

Ele diz que a perda da visão de profundidade, conhecida como estereopsia, agrava em competições noturnas para quem tem problema de visão.Por isso é um dos principais fatores que prejudica o desempenho dos jogadores que têm miopia, astigmatismo ou hipermetropia. A redução da visão de profundidade, comenta, é decorrente da má acomodação, ou seja, da capacidade dos olhos ajustarem o foco em objetos de acordo com a distância.

Para maiores de 21 anos
Queiroz Neto afirma que até os 21 anos a correção visual mais segura para jogadores são as lentes de contato de descarte diário que evitam a contaminação dos olhos por higienização inadequada. Os jogadores com mais de 21 anos e grau estabilizado há um ano podem eliminar a miopia, hipermetropia ou astigmatismo pela cirurgia refrativa. O médico destaca que o procedimento inteiramente a laser é o mais recomendado. Isso porque, o atleta fica com o olho menos vulnerável após a cirurgia devido ao menor desgaste da córnea. A recuperação do olho também é mais rápida.

“Em 24 horas já está enxergando perfeitamente bem”, comenta. O mais importante são os exames na córnea feitos antes da cirurgia que determinam se o jogador pode operar.

Exercícios melhoram visão de jogo
Para Queiroz Neto a visão de jogo não é só uma questão de talento mas também de habilidade visual. A boa notícia pé que exercícios visuais podem melhorar esta habilidade. A velocidade do foco pode ser melhorada com o “teste do polegar”, afirma.  Trata-se de um exercício simples em que os dois braços são levados para frente, na altura do ombro, e os polegares são colocados em posição vertical. O teste consiste em mudar rapidamente o foco entre as unhas dos polegares, notando se ocorrem falhas na fixação.

Os movimentos rápidos que caracterizam o futebol, ressalta, demandam boa visão periférica ou lateral que permite enxergar o que nos cerca e é essencial para uma boa defesa durante os jogos. A dica para melhorar a visão periférica é fixar a visão entre o ponto central da bola e o oponente.

Jogadores também podem desenvolver a capacidade de antecipação efetiva e tomar boas decisões durante as competições através da maior visão de contraste e capacidade de focalizar a atenção. Para isso Queiroz Neto  recomenda que o treinador realize um exercício em que o jogador identifique objetos semelhantes que são colocados sobre um fundo de baixo contraste, trocando os objetos rapidamente.

Outro aspecto importante da visão que melhora o desempenho em campo é saber qual o olho dominante, afirma. Isso porque o olho dominante transmite informações ao cérebro mais rápido do que o outro e no campo o posicionamento do jogador de forma que a visão do olho dominante permaneça desobstruída aumenta a chance de boas finalizações. Ele diz que para saber qual o olho dominante basta estender os braços e formar um triângulo com os polegares e indicadores posicionando um objeto nesta janela, Em seguida fecha um olho de cada vez. O olho que mantiver o objeto alinhado na janela é o dominante.

Maior desconforto em campo
Nove em cada dez jogadores que participaram o estudo desenvolvido por Queiroz Neto afirmam que o sol é o maior desconforto em campo e reclamam de lacrimejamento, fotofobia e ardência nos olhos. Para reduzir este desconforto e prevenir doenças como a catarata, fotoceratite e degeneração macular causadas pela exposição dos olhos à radiação ultravioleta (UV)  emitida pelo sol a recomendação do médico é usar lente de contato durante os treinos e partidas. Isso porque toda lente, mesmo as sem grau tem filtro UV.

O estudo revela também que 32% dos jogadores já sofreram repetidos traumas oculares. Entre portadores de miopia o traumatismo aumenta o risco de descolamento de retina que pode se desenvolver em dias ou semanas. Para prevenir o comprometimento ocular entre míopes o médico diz  que o ideal é consultar um oftalmologista anualmente.

Colaboração: Eutrópia Turazzi – LDC Comunicação