Um quadro assustador

Por em 27 de outubro de 2015

Nosso País, ao longo da sua história, tem conseguido enfrentar com êxito crises de grandes proporções. Mais de uma vez, conseguiu vencer o embate com as forças que se contrapunham ao verdadeiro interesse nacional.

São exemplos disso a abolição da escravatura, fruto das gloriosas jornadas abolicionistas, e, mais recentemente, o fim da ditadura, com o movimento das Diretas Já e, embora não tenha sido precedido de manifestações de rua, mas exigido de forma patente pela maioria dos brasileiros, a vitória sobre a hiperinflação, com o Plano Real.

Neste momento enfrentamos uma situação que será vista, mais à frente, como igualmente decisiva para o futuro da Nação. De um lado temos um governo que conquistou o poder montando uma farsa de tal forma evidente que a máscara dos seus intérpretes caiu já nos primeiros dias que se seguiram à sua vitória eleitoral.

A reação do povo brasileiro não se fez esperar: Dilma Rousseff amarga hoje o menor índice de confiança que a população já atribuiu a qualquer outro presidente da República e o triste recorde de número de pedidos de impeachment submetidos ao Congresso Nacional.

Tudo isso acontece tendo como pano de fundo a exposição, feita pela Operação Lava Jato e por depoimentos em sucessivas CPIs do Congresso, do descomunal esquema de corrupção promovido pelas administrações petistas.

Em meio a essa turbulência política, assistimos o País mergulhar em uma das suas maiores crises econômicas, que tem sido comparada a um filme de terror que nunca tem fim.

E o que é mais assustador: ao invés de voltar os seus esforços para tentar evitar o pior, ou seja, que o Brasil volte ao caos da hiperinflação, anulando conquistas de décadas, fazendo com que corramos o risco de regredir 20 anos, todo o esforço do governo se concentra em evitar o impeachment e colocar os líderes do seu partido, que chefiaram o maior esquema de corrupção de que se tem notícia, fora do alcance dos inquéritos judiciais e das CPIs.

Cegos aos sofrimentos que infligem à população, que vê o seu sonho de viver em um País melhor se transformar em pesadelo, com ameaças de desemprego em massa, tendo de cortar despesas em itens básicos como alimentação e educação dos filhos, os ocupantes do poder, figuras menores, incapazes de grandes gestos, têm olhos apenas para aquilo que é de seu interesse.

A marcha dessa insensatez, terminará, como terminaram outras de igual natureza, na lata de lixo da história.

Por: Miguel Haddad – Deputado federal

 

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