Alegria de viver de Norberto Perboni

Por em 18 de novembro de 2015

Tive uma primeira fase de convivência com Norberto Perboni lá pelos anos de 1963 quando trabalhei dois meses na oficina mecânica de seu pai. Norberto estava fazendo ou tinha acabado de concluir o curso de mecânico no Senai e já passava parte de seu dia debaixo dos carros, procurando problemas e resolvendo os mesmos.

Não havia um dia em que não estivesse cantando debaixo dos carros. Ou então contanto histórias ou piadas! Norberto era assim: um jovem cheio de alegria e uma vontade de fazer o que gostava. Sempre! Naquele tempo, o via debaixo dos carros, mas por conta de nossa diferença de idade – ele era cinco anos mais velho que eu – passados estes dois meses, nos afastamos.

Apenas nos víamos e pouco falávamos quando nossos pais nos levavam à casa dos pais do outro para uma visita familiar. Afinal, meu pai era irmão da mãe de Norberto. Então, éramos primos de primeiro grau. Mas o contato maior de Norberto era com meu irmão mais velho, Ademir, que era alguns meses mais novo e que durante um bom tempo trabalhou na mesma oficina.

Me lembro do casamento de Norberto, com festa no Colégio Divino Salvador, muita gente presente e muita alegria. E a partir de então, nos víamos bem menos. Depois que me casei e mudei para Campinas, perdemos o contato. Mas não nos esquecemos. Quando voltei para Jundiaí, voltei a ver Norberto nas ruas da cidade, durante minhas caminhadas, principalmente já neste milênio, com ele já aposentado e eu passando diante do prédio onde a oficina já não existia mais. E os papos giravam em torno, sempre, de família: lembrando de nossos pais e falando de nossas famílias atuais. Mas a maioria das vezes encontrava Norberto onde ele mais gostava de estar: na feira do Vianelo. Era ali que o encontrava saboreando o pastel. Comentava dos sabores e daqueles que mais gostava. E pastel era um dos “pratos” preferidos de Norberto.

Outro local onde encontrava Norberto era do lado de fora dos mercados. Era comum encontrar Lúcia, sua esposa, fazendo compras, cumprimentá-la e perguntar por ele. A resposta era simples: está lá fora me esperando… Norberto era assim: gostava de fazer amizades. Então, enquanto sua esposa fazia as compras, ele batia papo do lado de fora. E não tinha assunto que ele não gostasse de conversar: mas família era o primeiro, o melhor. Gostava, principalmente de falar da Lúcia, sua esposa, das filhas, dos netos, mas ultimamente falava de sua mãe, minha tia Eliza, falecida há exatos dois anos.

Mas Norberto, imagino, sentiu saudades dela. Sim, porque agora em 2015, em abril último, ele se foi. Imaginava que conseguiria passar por uma cirurgia e voltar a viver normalmente. Mas não deu tempo. Norberto partiu deixando uma saudade grande de seu jeito bonachão de ser. Um riso permanente e uma vontade grande de curtir sua família.

 

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/