Sedentarismo cresce e afeta a visão do brasileiro

Por em 21 de março de 2016
Jornal de Itupeva

Pesquisa do IBGE mostra que a falta de atividade mais que dobrou nos últimos sete anos. Entenda como isso afeta sua visão.

A última Pesquisa Nacional da Saúde realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que o sedentarismo mais que dobrou no país nos últimos sete anos. Só para se ter uma ideia, neste período os levantamentos do instituto revelam que saltou de 20% para 46% o número de brasileiros sedentários e que praticam menos de 150 minutos/semana de exercícios, conforme recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde). O sedentarismo é ainda mais alto entre mulheres. Neste período saltou de 14,9% para mais de 50%. Entre maiores de 60 anos que têm maior predisposição a alterações nos olhos o salto foi de 38,1% para 62,7%.

Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, este comportamento explica não só a elevação do sobrepeso no país, como também de algumas doenças oculares. As mulheres, ressalta, sofrem mais com os olhos.

Só para se ter uma ideia, um estudo feito pelo especialista mostra que elas têm 50% mais problemas de visão porque estão mais expostas ao estresse oxidativo, hipertensão arterial e diabetes. Por isso, a falta de exercícios pode causar mais danos visuais entre elas. Os principais benefícios das atividades físicas para os olhos, explica, são a melhora da circulação, o aumento da resistência imunológica e o estímulo da produção de insulina que previne o diabetes e consequentemente a perda visual decorrente de lesões na retina.

O tipo de atividade mais adequada depende da doença ocular existente ou da predisposição genética.

Hidroginástica e natação X ceratocone
O especialista afirma que a natação praticada com óculos de proteção e a hidroginástica são as atividades mais indicadas para quem tem ceratocone. Isso porque, explica, a doença deforma a córnea e tem estreita relação com alergias. Próximo à piscina a maior umidade do ar evita crises de rinoconjuntivite e outras manifestações alérgicas nas vias respiratórias que podem piorar o ceratocone. São contraindicadas as atividades ao ar livre em ambientes poluídos que possam causar crises alérgicas.

Mais controle do glaucoma
As atividades aeróbicas como correr, nadar, caminhar ou pedalar, bem como a hidroginástica regulam a pressão arterial. Por isso, podem ajudar a controlar o glaucoma de ângulo aberto que é caracterizado pelo aumento da pressão intraocular sem causar qualquer desconforto nos olhos, comenta. “Os exercícios anaeróbicos como a musculação ou qualquer outra atividade que utilize a força para ganhar massa muscular, bem como, os esportes de impacto e posições da ioga em que a cabeça é mantida para baixo devem ser evitados”, afirma. Isso porque, podem provocar o aumento da pressão intraocular e o agravamento do glaucoma.

Sem embaço
O oftalmologista destaca que o consumo exagerado de sal antecipa a formação da catarata, porque dificulta a manutenção da pressão osmótica entre as células do cristalino do olho e forma depósitos que o tornam opaco. Por isso, todas atividades que ajudem eliminar o excesso de sódio através do suor, mantêm a transparência do cristalino por mais tempo. Só não previnem, porque o envelhecimento é a maior causa da doença.

Atividades ao ar livre combatem miopia
Embora os estudos do IBGE tenham sido feitos a partir da adolescência, Queiroz Neto ressalta que para crianças um estudo publicado na AAO (Academia Americana de oftalmologia) sugere que 40 minutos/dia de atividades ao ar livre diminui o risco de desenvolver miopia, dificuldade de enxergar à distância. Isso explica o resultado de um estudo conduzido pelo oftalmologista antes do levantamento americano.

Entre 360 crianças que permaneciam seis horas usando o computador ou outra tecnologia, 21% apresentaram dificuldade temporária de enxergar à distância e risco de desenvolver miopia permanente. Para prevenir a miopia a recomendação é alternar o uso de tecnologias com outras atividades que exigem menos da visão de perto. Para o médico a prática de atividades físicas é uma questão de educação e deve ser iniciada na infância.

Colaboração: Eutrópia Turazzi