UEB afirma que itupevense agiu com bravura e coragem

Por em 22 de março de 2016
Jornal de Itupeva

A União dos Escoteiros do Brasil (UEB) registrou em seu endereço eletrônico a conquista do itupevense, Luiz Carlos Izzo, ao cume da montanha mais alta das Américas, o Monte Aconcágua.

Segundo a UEB, o montanhista demonstrou ‘bravura e coragem’. Em sua expedição, o montanhista representou a UEB – União dos Escoteiros do Brasil -, que tem como presidente o chefe escoteiro, Marco Aurélio Romeu Fernandes.

O itupevense deixou na cruz que indica o cume da montanha, a bandeira da instituição e o lenço do grupo de Itupeva.

A expedição foi precisa e considerada um sucesso, já que o montanhista conseguiu o cume logo em sua primeira tentativa, algo não comum entre a classe esportista, que normalmente tenta várias vezes e mesmo assim com grandes chances de não conseguir. Muitos montanhistas sequer voltam para contar como foi a expedição, já que esta é uma das montanhas que mais registra mortes de alpinistas na América.

Luiz Carlos Izzo fez questão de registrar sua passagem pela ‘Parede Sul’, considerado o acesso mais difícil ao cume, onde estão pendurados os corpos de 3 montanhistas brasileiros, vítimas de uma avalanche, entre eles, Mozart Catão.

Expedição

Após desbravar praticamente todas as 20 montanhas mais altas do Brasil, o jornalista itupevense, Luiz Carlos Izzo, concluiu o primeiro desafio do Projeto Sete Cumes: o monte Aconcágua, na Argentina. Dependendo exclusivamente de si, Izzo venceu o ar rarefeito, a temperatura extrema de menos de 20 ºC negativos e a subida íngreme de 6.962 metros de altitude. A expedição durou 20 dias e foi dividida em dois processos: aclimatação, que aconteceu na região de Vallecitos (Mendoza) e ascensão, dentro do Parque Provincial Aconcágua, também na cidade de Mendoza.

O projeto ‘7 summits’ desafia o itupevense a escalar os sete cumes mais altos do mundo, passando por todos os continentes, rota que poucos montanhistas conseguiram. Segundo o montanhista, que também é jornalista, o Aconcágua até hoje foi seu maior desafio, tendo que superar seus limites físicos e psicológicos, já que foi submetido a condições das mais extremas, exatamente em um período em que o fenômeno El Niño provocou rajadas de vento que superou 120 km/h, fato que faz a temperatura cair drasticamente, levando a sensação térmica de para -50º C.

“A subida às altas montanhas são muito difíceis e o montanhista precisa tomar muito cuidado com inúmeras dificuldades, principalmente com o corpo, que tem que estar muito bem adaptado. Quem deseja escalar, tem que fazer a adaptação na altitude, ou seja, o montanhista tem que subir até certa altitude e depois descer até metade do percurso percorrido. No outro dia sobe novamente e desce até metade do novo percurso, repetindo o processo até o corpo estar apto para permanecer naquela altura.

A orientação médica e também dos profissionais de guarda-parque do Parque Aconcágua é não subir mais que 500 metros por dia, o que pode parecer muito pouco, mas diante as condições extremas é melhor não abusar. A etapa mais difícil de minha expedição foi no acampamento chamado Cólera, aos 6 mil metros de altitude, quando meu último parceiro de montanha desistiu de continuar. E como ele era ‘o dono da barraca’ e também de equipamentos importantes de orientação, tive que tomar a decisão mais difícil da expedição, que foi abandonar tudo e seguir em frente com meu objetivo.

O frio era intenso e a força do vento assustava. Olhei no termômetro e estava marcando 20ºC negativos. Até aquele ponto eu estava tendo que descongelar neve em um pequeno fogão a gás para matar a sede e também fazer uma alimentação a base de sopas. Mas com a separação, acabei ficando sem estes importantes equipamentos, principalmente a barraca. Foi uma decisão das mais difíceis. A última etapa foi ainda mais desafiante que todas as outras, por conta do ar rarefeito (você respira e parece que não vem oxigênio), do frio intenso e do percurso, que é muito difícil e perigoso, motivo que leva muitos montanhistas a desistirem nesta etapa.

Neste trecho, o montanhista se vê obrigado a instalar ‘crampons’ nas botas, que são grampos de aço usados para fixar no gelo. O abismo é imenso e qualquer deslize é fatal. O desafio foi concluído com uma subida de 14 horas duração. Quando cheguei ao cume, a emoção tomou conta. Duas de minhas câmeras nem ligavam, porque as baterias se esgotam rapidamente em baixas temperaturas. Por sorte, levei 3 baterias e foi exatamente a última que salvou o registro de minha conquista.

Lá do alto tudo é muito lindo. Posso dizer que é tão alto que dá para ver que a Terra é redonda. Um dos pontos que chamou minha atenção foi a vista da ‘Parede Sul’, onde os corpos de três montanhistas brasileiros permanecem pendurados. Lá, o resgate é praticamente impossível. Após alguns minutos de descanso, admiração e fotos, o jeito foi comer um pedacinho de neve para evitar a desidratação. Eu estava sem água, sem condições de descongelar neve e o retorno seria igualmente longo, desgastante e perigoso: eu precisava ter condições físicas para voltar, de preferência vivo.

Quero agradecer a todos os meus familiares, amigos mais próximos e à União dos Escoteiros do Brasil, particularmente ao Presidente, Marco Aurélio Romeu Fernandes, que acreditaram em meu sonho e deram forças para que essa expedição foi um grande sucesso. Também agradeço à equipe de reportagem do Programa Globo Esporte, especialmente à produtora Silvia Torres, que reconheceram essa conquista e fizeram o registro no programa desta que é a mais conceituada rede de televisão do país. Muito obrigado a todos”, disse o montanhista.

Kili: a próxima montanha
Durante o desafio, Luiz Carlos Izzo emagreceu 15 quilos e ele afirma que já tem destino certo para seu próximo desafio: o monte Kilimanjaro, na Tanzânia, que é a montanha mais alta do continente africano. Embora fique nos trópicos, permanece coberto de gelo e neve o ano todo.

O monte Kilimanjaro é formado por três vulcões inativos. O Kibo fica no centro, o Mawensi no leste, e o Shira no oeste. O Kibo, o mais alto, atinge a altura de 5.895 metros; o Mawensi chega a 5.149 metros, e o Shira a 3.962 metros. Densas florestas cobrem partes das áreas mais baixas. Elefantes, búfalos, macacos e antílopes semelhantes aos bois, chamados elandes, vivem nas florestas da região.

Os europeus conheceram o Kilimanjaro quando missionários alemães o avistaram, em 1848. Os homens que o escalaram pela primeira vez alcançaram o pico do vulcão Kibo em 1889. Todos os anos, milhares de alpinistas tentam escalar o Kibo. A cidade de Moshi, no sopé sul da montanha, costuma funcionar como base para os montanhistas.

Na sequência da lista está o Denali (monte McKinley), que mede 6.168 metros de altitude e fica localizado no Alasca, restando outros 5 gigantes: o maciço Vinson (4.892 metros), na Antártica, a Pirâmide Cartensz (4.884 metros), na Nova Guiné, que é o ponto culminante de toda a Oceania, o Elbrus (5642 m), na Rússia (continente europeu) e o gigantesco e temível Everest (8.850 metros), na China. Ainda integra a lista o Monte Kosciuszko (com 2228 m), que é o ponto culminante da Austrália.

A aventura de Luiz Carlos Izzo, que é jornalista por profissão, deve resultar em um livro. E para garantir o sucesso do projeto, o montanhista busca apoiadores, que podem entrar em contato pelo seu email: izzo@r7.com

Registro no site oficial da União dos Escoteiros do Brasil

Vídeo com a chegada ao cume e agradecimento ao presidente da UEB