O contraste é o sentido…

Por em 24 de abril de 2016
Rafael Silveira

Já faz duas horas que estou aqui tentando escrever alguma coisa para fazer uma apresentação de Rafael Silveira, artista que foi destaque da Galeria Choque Cultura durante a SPArte 2016.

Sabe o que tá difícil, descrever a arte do cara que mistura surrealismo, pop com uma estética publicitária e de cartoon, em tons fantasmagóricos, meio Tim Burton, com tons pasteis, com fosse um pano de prato da mamãe.

Leio a entrevista um monte de vezes e fica mais ridículo ainda fazer uma apresentação. O papo é direto e sem muita frescurada, chega e vai, tipo Dr. Enéas, com um tom profético da Estamira e profusão de ideia de Panamérica, e isso tudo ai, seguindo da voracidade de Robert Crumb e o realismo mágico de Bosch. Todd Schorr, Mark Ryden, Walton Ford, Charles Burns, Gil Elvgren, Femke Hiemstra, Ryan Heshka e porque não o pop de Wharol e Roy Linchenstein, Charles Bukowski e tudo isso ai misturado. São os olhos de lince de Waly Salomão e taca pau neste carrinho Marco Véio, que o pop e o efêmero, estão alinhados com a entorpia do surreal cotidiano

Arte
Certa vez ouvi que arte é tudo que você consegue passar pra frente. Eu não me atrevo a definir o que é arte, não é algo que cabe a mim definir. Eu apenas faço um tipo de arte, e sinceramente, não acredito que o tipo de arte que eu faço é o “certo” ou é melhor que as outras. Certamente é mais laborioso que muita coisa que existe. Mas foi uma escolha minha. O que posso dizer é que enquanto pessoa, tenho um “paladar visual” ou “paladar artístico” e muita coisa não me emociona, eu não gosto de grande parte do que é feito em termos de arte hoje em dia.

Eu
Tudo que acontece ao meu redor é processado pela minha mente, digerido pelo inconsciente, vira adubo psíquico. Sou um artista multidisciplinar, que flutua entre os mundos. Sempre fui aquela criança que gostava de desenhar, e que tem muitas idéias o tempo todo. Foi uma escolha natural. Tenho uma banda (Os Transtornados do Ritmo Antigo) e circulo pelo meio musical também. A cena independente ensina a tirar leite de pedra. Com o passar dos anos você aprende a ordenhar montanhas e fazer coisas que pareciam impossíveis, começarem a acontecer. Tenho orgulho quando me supero, quando consigo realizar uma tarefa que eu não conseguia antes. É algo muito intimo, que eu nem gosto de manifestar. Minha principal falha? São muitas, difícil eleger uma principal.

Guerra e Paz
O contraste é o sentido. Os vícios mudam de nome, mas sempre estarão lá. Pode chamar de hábito também.

Tudo junto
A diferença está na intenção da obra, e no impacto que ela é capaz de causar. Minha obra conversa com a intimidade da psique humana. É onde se formam todas as decisões. O mundo nada mais é do que a conseqüência da somatória das decisões que são tomadas individualmente pelos nossos antepassados, e por nós mesmos agora.

Preconceito
Preconceito é generalizar grupos de pessoas ou lugares. Eu não gosto disso, não cultuo preconceitos. Procuro conhecer algo, antes de ter opinião. E se não conheço, nem me atrevo a opinar. Sobre a reflexão, ela vai e vem, como uma música que fica na cabeça.

Liberdade
Liberdade é fôlego.

Amor
A diversidade não precisa apenas de espaço. Acho que mais do que amor, falta elegância.

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