Chega ao fim a alegria de Valter Tozetto Júnior!

Por em 7 de junho de 2016

Ninguém pode dizer que não era assim: sorriso permanente e uma vontade incrível de viver! Conheci Valter Tozetto Júnior na redação, no laboratório, nos corredores do Jornal de Jundiaí. Sempre brincando com os colegas de trabalho, Valtinho – chamado assim por todos -, estava sempre disponível para o trabalho: máquina fotográfica em punho, mochila com equipamentos no ombro e lá ia ele em busca de notícias.

Foram alguns anos de convivência na redação do jornal, até porque aposentei e deixei o emprego, mas me lembro de sua atenção e cuidado na hora da escolha de fotos para a capa. Foi sempre que me indicava a melhor que fizera! Eu argumentava que era difícil escolher a melhor, pois todas eram perfeitas e ele sorria, balbuciava um “obrigado chefe!” e se afastava sorridente, sabendo que a foto que indicara estaria na primeira página do jornal no dia seguinte. Interessante é que sempre vinha agradecer a publicação.

E o agradecimento vinha acompanhado do sorriso de quem tinha certeza de que fizera o melhor! Como disse, conheci Valtinho na redação – pois era ali que ele passava em busca de pautas.

Disse que o conheci no laboratório, pois era ali que definíamos sua foto para a capa do jornal. Disse que o conheci nos corredores do Jornal de Jundiaí porque era ali que ele passava cantando. E sua música preferida era sempre “Sandra Rosa Madalena”. Foram muitas as vezes em que colocou a mão no meu ombro e me fez cantar com ele o refrão desta melodia. Ríamos juntos, ele seguia para o laboratório e eu voltava para a redação. Depois da separação profissional, nos encontramos algumas vezes em algum evento ou até mesmo em casamento de amigos que ele era o fotógrafo oficial. A última vez que o vi foi em 2012.

A doença já deixara marcas em seu rosto. O sorriso constante tinha uma marca de dor, mas ele seguia em frente, sempre espantando o que atrapalhava sua alegria de viver. Não tenho dúvidas de que as chuvas deste final de semana eram as lágrimas de Deus chorando a dor deste jovem fotógrafo e cantor. E como todo bom pai, Deus o tomou em seus braços para lhe dar conforto e aliviar seu sofrimento.

Foram muitas as lágrimas de Deus que rolaram e se juntaram às de centenas de amigos que sentiram a grande perda. Valtinho se foi. Partiu! Não disse adeus a cada um dos amigos, pois eram muitos e o tempo de despedida era curto. E o fotógrafo silenciou o clique!

E o cantor desligou o microfone para sempre! “Sandra Rosa Madalena” que ainda ecoa no meu ouvido e o sorriso do jovem fotógrafo correndo de lado a outro para registrar a notícia colocam o ponto final na vida de um profissional cheio de vontade de viver, mas que a dor o transportou para a paz eterna!

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/