Com real fortalecido, brasileiros voltam a viajar para fora

Por em 10 de julho de 2016
Jornal de Itupeva

Busca por passagens e por moedas estrangeiras cresceu nas últimas semanas

Nos últimos meses, o índice de viagens ao exterior caiu vertiginosamente. O motivo foi a moeda americana, que bateu recorde histórico de crescimento, com valor que chegou a ficar muito próximo dos R$ 5. E como não poderia ser diferente, o valor das passagens aéreas acompanhou o aumento. Não bastasse, o viajante teria que levar em conta os gastos com alimentação, hospedagem, entre outros, motivos que levaram à queda das viagens internacionais.

O dólar comercial chegou a atingir R$ 4,16 em janeiro. Seis meses depois, bateu a mínima do ano: R$ 3,21. Esse movimento de valorização do real, que ganhou mais força a partir de março com os desdobramentos do processo de impeachment, fez com que a procura por moeda estrangeira aumentasse nas casas de câmbio por todo o País.

No primeiro semestre deste ano, o real foi a moeda que mais se valorizou ante o dólar: 23%. Em junho, o dólar teve a maior queda mensal frente ao real em 13 anos.

Uma família que levava US$ 2.500 para uma viagem nos EUA gastava em janeiro R$ 11.290. Agora, para levar a mesma quantia, desembolsa R$ 8.465.

A constante queda da moeda americana agradou o jornalista itupevense Luiz Carlos Izzo, que havia sido obrigado a ‘estacionar’ o livro que vem escrevendo, com o tema ‘viagens econômicas’.

Com 55 países já visitados, a alta do dólar foi como um ‘freio de mão’ para a continuidade de seu ousado projeto, que a longo prazo objetiva visitar os 193 países do Globo, que são reconhecidos pela ONU – Organização das Nações Unidas.

“Mesmo com as constantes promoções de passagens aéreas, o valor absurdo que chegou o dólar inviabilizou a continuidade do meu programa de viagens internacionais. O valor da viagem acabava ficando muito alto e isso ia contra o propósito de meu livro. Por isso, nos últimos meses passei a me aventurar na prática do montanhismo. Fiz diversas expedições às mais altas montanhas do Brasil, até chegar ao cume do monte Aconcágua, na Argentina, que é a montanha mais alta das Américas, uma escalada muito difícil que foi registrada pelo Programa Globo Esporte, da Rede Globo. Continuo na torcida para que o dólar continue baixando, pois assim poderei dar continuidade ao meu programa de viagens internacionais”, disse.

O superintendente de varejo da Confidence Câmbio, Juvenal dos Santos, conta que as operações cresceram quase 35% em junho, se comparado ao mês anterior.

— No online, nós tivemos em um mês crescimento de 99,4%. Nas nossas mesas de operações, que é de atendimento telefônico, tivemos crescimento de 35,35%, e nas lojas, algo em torno de 27%.

O referendo decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia também teve efeitos positivos para viajantes que desejam conhecer a terra da rainha, segundo Pavani.

— Nessa última semana, o volume de libra esterlina no mercado foi algo descomunal. Inclusive, com pessoas que aproveitaram a queda para poder dar uma esticada para a Inglaterra. Só para lembrar, a libra esterlina foi negociada a R$ 7, hoje está R$ 4,50, está quase no preço do euro. Tem gente que vai viajar em 2017 e que já está comprando libra porque caiu agora.

Além de Estados Unidos e Europa, destinos da América do Sul também estão em alta. Em uma rápida busca por casas de câmbio de São Paulo, a reportagem encontrou dificuldades para comprar peso argentino. Em alguns locais, não havia sequer previsão de quando a moeda estaria disponível. O superintendente da Confidence destaca ainda que o peso chileno foi, em junho, a quinta moeda mais negociada.