Julgar ou compreender…

Por em 30 de novembro de 2016

A maior festa da cristandade deve nos levar além da reunião familiar, dos presentes, das comemorações, dos abraços e do tradicionalíssimo…Feliz Natal.

As ações espirituais, materiais e afetivas, que habitualmente fazemos, devem ser enriquecidas com uma profunda reflexão sobre o julgamento sumario que fazemos sobre nossos semelhantes.

Esse nosso comportamento pode ser explicado através da categorização; processo pelo qual ideias e objetos são reconhecidos, diferenciados e classificados.

O nosso objetivo não é abordar o processo de julgamento que é atribuição do Poder Judiciário, mas sim sobre o respeito ao ser humano.

Quando uma pessoa está fora dos padrões que a sociedade “sentenciou”, partimos para o juízo de valor como se fossemos o Senhor da razão – onipotente e onissapiente.

“Juízo de valor é um julgamento feito a partir de percepções individuais, tendo como base fatores culturais, sentimentais, ideologias e pré-conceitos pessoais, normalmente relacionados aos valores morais.”

A discriminação, o deboche, piadinhas maldosas, gozação, preconceito, intolerância, assédio moral, o bullying, entre outros, fazem parte do “conjunto da obra”, que beira a exclusão social.

Esses atos de violências, que praticamos contra as pessoas, são potencializados quando os fazemos em público e divulgamos na Internet, baseado unicamente em nossos parâmetros – como se fossemos infalíveis.

Essa nossa atitude fere, de maneira indelével, a pedra angular do relacionamento interpessoal que é a ética.

Podemos estar criando uma imagem negativa para a vida toda dessa pessoa, com danos psicológicos e sociais de gravíssimas consequências.

Citamos o caso de uma estudante negra (UERJ), que viralizou nas redes sócias e exemplifica a nossa linha de pensamento.

“Lembro que quando me perguntavam o que eu queria cursar e eu falava medicina, tinha gente que virava e falava: ‘ah, mas você quer isso mesmo? Você não tem cara de médica’”, diz a jovem Mirna Moreira,22, moradora do Complexo do Lins, zona norte do Rio de Janeiro.

Vale a pena uma reflexão sobre o texto bíblico.”Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.”(conf. Lc 6, 36-38).

Oxalá a essência do espírito natalino não se volatize com o nosso primeiro prejulgamento.

“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.”

Madre Teresa de Calcutá

Faustino Vicente

Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos, Professor e Advogado – Jundiaí (Terra da Uva) – São Paulo – Brasil – E-mail: : faustino.vicente@uol.com.br