Itupevense escala a mais alta montanha da África

Por em 6 de janeiro de 2017
Luiz Carlos Izzo no cume do Kilimanjaro

Itupevense foi homenageado por autoridades da Tanzânia, após conquistar o cume do Monte Kilimanjaro, o mais alto do continente africano. 

O jornalista e montanhista de Itupeva, Luiz Carlos Izzo, acaba de concluir mais uma difícil e desafiadora aventura, que foi escalar a maior e mais alta montanha do continente africano, o Monte Kilimanjaro, também conhecido como ‘montanha branca’.

O Kilimanjaro é a maior montanha “livre” do mundo, ou seja, não faz parte de nenhuma cadeia como os Andes ou o Himalaia, dominando sozinho toda paisagem ao seu redor.

O feito rendeu ao jornalista de Itupeva homenagem por parte do governo da cidade tanzaniana de Kilimanjaro, que reconheceu a conquista do montanhista brasileiro lhe concedendo o título de certificação da conquista. Izzo viajou 9 mil quilômetros, de São Paulo à Tanzânia, onde concluiu com êxito mais esta difícil aventura, motivo pelo qual foi congratulado pelas autoridades daquele país.

“Este foi mais um grande desafio que enfrentei, com foco e determinação. Viajei 9 mil quilômetros, de Itupeva à Tanzânia, sofri muito mas consegui fazer flamular a bandeira do Brasil no ponto mais alto do continente africano”.

O cume do Kilimanjaro é formado pela cratera de um vulcão antigo, chamado Kibo. Fica localizado no meio de uma savana e cercado por desertos de altitude.

Para conseguir o feito, o montanhista enfrentou temperaturas de -20 graus Celsius e uma altitude de 5.895 metros. Mesmo com a experiência de ter superado os quase 7 mil metros do Aconcágua, na Cordilheira dos Andes, Izzo disse que essa aventura foi algo novo, sendo a segunda etapa que passa pelas maiores montanhas de cada continente (7 summits).

“Acabei de dar o segundo passo deste projeto, que é conhecer as mais altas montanhas de cada continente. Até onde vou chegar eu não sei. Deixo a expectativa para as próximas montanhas, pois não quero sofrer com a ansiedade, já que cada uma delas é um grande desafio”.

O monte Kilimanjaro tem 5.895 metros de altitude, sendo o ponto mais alto da África e um dos chamados 7 cumes. Este antigo vulcão, com o topo coberto de neve, ergue-se no meio de uma planície de savana.

ESCALADA

Depois de muito preparo físico e um processo de emagrecimento que o fez perder 21 quilos, Luiz Carlos Izzo enfrentou o desafio de escalar o monte e conta um pouco de como foi viver essa experiência.

“Costumo dizer que minha preparação é contínua, ou seja, todos os finais de semana eu faço alguma atividade, principalmente trilhas e caminhadas. Normalmente costumo convidar amigos, que gostam de se aventurar na prática de trilhas e caminhadas, para me fazerem companhia. Óbvio que eu deixo bem claro a todos que o nível de esforço físico vai de médio para alto. Não gosto de fazer escaladas em solitário, mas se não tiver outra opção eu preparo a mochila e me aventuro sozinho mesmo.

Já mais próximo do período da expedição eu acentuo os treinamentos. Faço o cume de montanhas aqui no país com níveis mais dificultosos, entre elas o Pico da Bandeira (Espírito Santo), Agulhas Negras e Prateleiras (Rio de Janeiro), Pedra da Mina (Minas Gerais), entre outras. Para o Monte Kilimanjaro comecei o treinamento acentuado seis meses antes. Perdi 21 quilos em apenas dois meses, fui leve e bem preparado para a África.
A expedição do campo base até o cume da montanha durou 6 dias, feito que exigiu preparo árduo e planejamento. Para se ter uma ideia, o Kilimanjaro tem praticamente o dobro da altitude do maior pico brasileiro, que é o Pico da Neblina, no Amazonas, que mede 2.995 metros de altitude.

Acima dos 5000 metros de altitude, todo cuidado é pouco. São muitos problemas com fadiga, risco de congelamento de membros, edema pulmonar e cerebral. Em minha expedição ao Aconcágua, iniciei o desafio junto a outros 3 montanhistas e todos sofreram com o chamado ‘mal da montanha’ e foram obrigados a abandonar a escalada”.

No Monte Kilimanjaro, a frase que mais se ouve é “pole, pole” que significa “devagar” em swahili, a língua local. Essa é uma tentativa de fazer o corpo se aclimatar à crescente altitude. A caminhada começa leve nos primeiros 14 quilômetros, passando por duas bases mantidas pelo governo da Tanzânia.

O caminho ao topo da África é fascinante. O montanhista deixa cidades próximas, entre elas Arusha, Kilimanjaro e Moshi, e começa a trilhar em florestas equatoriais que lembram muito o Brasil, mas logo alcança campos de altitude e tudo muda. Ao longo dos dias a floresta vira savana, e a savana vira deserto.

Existem várias rotas de acesso ao cume do Kilimanjaro, que vai de 6 a 9 dias, com cerca de 35 quilômetros de caminhada. Para um resultado positivo, é de extrema importância se fazer uma boa aclimatação, que nada mais é que preparar o organismo, ou melhor, acostumar o corpo com a altitude, aumentando a resistência ao oxigênio rarefeito, já que no cume da montanha se respira apenas 50% do oxigênio que teríamos ao nível do mar. Os efeitos desta altitude são náuseas, tonturas e fraqueza, além de problemas mais sérios, como acidente vascular cerebral (AVC) e edema pulmonar. Exatamente por isso, a aclimatização se faz muito importante para o êxito da expedição.

No terceiro dia, a caminhada passa a ficar ‘pesada’, com uma longa e difícil transposição por meio de cânions, desertos, barrancos e encostas.

O ataque ao cume aconteceu na madrugada do 6º dia. Uma escalada muito íngreme e desgastante de 6 quilômetros, que compreende um trecho muito difícil de concluir, principalmente porque a essa altitude a neve é praticamente constante.

O destemido montanhista não desistiu diante dos problemas e ao 6º dia chegou ao ponto mais alto do monte. “Fiquei muito orgulhoso de ter representado Itupeva e o Brasil em mais esse desafio e de ter levado a nossa Bandeira Nacional para o teto da África. Aos amigos e montanhistas deixo meus cumprimentos em swahili, hakuna matata” termina o jornalista das alturas.