Ramos assume a redação do JC

Por em 8 de fevereiro de 2017

A Copa do Mundo de 1970 tinha acabado no dia 21 de junho e, alguns dias antes, Solon – o redator-chefe – publicou na capa do jornal uma todo dos funcionários, comemorando uma das vitórias do Brasil. Foi minha primeira foto no jornal e acabei saindo na capa! Mas naquela segunda-feira de julho, alguma coisa estava acontecendo e ainda não sabia o que era. Solon não tinha passado pela redação, como fazia toda tarde e Carlos Roberto Ramos, que só aparecia no final do dia para redigir sua reportagem, já tinha entrado e saído dali três ou quatro vezes. De repente escutei o Landau do dr. Gustavo estacionando no pátio do jornal e, um minuto depois ele estava na redação.

Ramos estava ao lado da mesa do Solon, Furuta e outros integrantes da redação foram se aproximando. Dr. Gustavo entrou, trocou duas palavras com Ramos e voltou-se para os presentes: “Doa a quem doer, seja o que Deus quiser. Carlos Ramos é novo redator-chefe do Jornal da Cidade. E o Furuta não trabalha mais aqui!”, sentenciou o diretor. Furuta saiu na frente do diretor, Ramos saiu logo atrás. Uma troca de palavras entre os presentes, mas em voz baixa selou a decisão. Diria que respirei aliviado! Afinal, o chefe da redação que nunca me dissera uma palavra, tinha sido demitido e o que assumia em seu lugar era meu amigo e tinha me levado para a empresa.

Imaginei que estava garantido ali por um tempo. Em poucos dias, a redação foi reformulada: chegaram novos repórteres e também Ordival Seckler Machado que seria o braço direito de Ramos nesta nova fase do jornal que, a cada dia, ganhava uma cara mais jovem, com uma diagramação mais leve, mas já seguindo a tendência visual do Jornal da Tarde – novo jornal do grupo Estadão e que ganhava espaço na venda em banca. Carlos Ramos tinha uma visão mais avançada de diagramação, com fotos grandes e poucos textos na capa e o jornal foi ganhando corpo e espaço na cidade. Apesar de ainda jovem – tinha 21 anos quando assumiu o jornal – Ramos mostrava muita capacidade para desenvolver este trabalho.

Começara no Jornal de Jundiaí e acabara sendo contratado para o JC para ser repórter especial. Nesta época apenas dois jornais circulavam em Jundiaí: O Jornal da Cidade e o Jornal de Jundiaí, ambos fundados na década de 1960. O primeiro, onde eu trabalhava, era dirigido pelo advogado dr. Gustavo Leopoldo Maryssael de Campos e Pedro Geraldo de Campos, este segundo dono da fábrica de velas São Geraldo, que já não existe mais. Os dois, apesar do sobrenome, não eram parentes.

O Jornal de Jundiaí era propriedade do dr. Tobias Muzaiel, advogado e radialista e proprietário da Rádio Difusora. O JJ, como é conhecido até hoje, nasceu no dia 21 de fevereiro de 1965 e três anos mais tarde, Tobias comprou o Diário de Jundiaí, de propriedade de Paulo Marques e, pouco tempo depois, fechou este jornal. O Jornal da Cidade surgiu em 1968. (A seguir, o surgimento do “Entrevistão”) -Nas fotos, dr Gustavo Maryssael e Pedro Campos (ao lado do falecido vereador Doca)

 

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/