Entrevistas com artistas valorizam Página de Variedades

Por em 8 de junho de 2017

Quando voltei para o Jornal da Cidade, Plínio Vicente da Silva estava no comando do caderno de Esportes e ficara no meu lugar, como Redator-Secretário. A página de Variedades estava sendo feita uma vez cada repórter. Ninguém em definitivo, o que significava que recebi de volta este trabalho. Chegava à redação às 8 horas e saía às 18, quando tomava o ônibus fretado e ia até o campus da PUC em Campinas.

No período da manhã “fechava” a página de Variedades e diagramava quatro páginas internas, encaminhando material para as oficinas. Quando retornava do almoço, fechava mais quatro, incluindo uma de esportes, e deixava algumas pautas para os reportes que entravam neste período. O dia era cheio, com muito movimento na redação, graças à boa aceitação do jornal. Por volta das 18 horas, me dirigia ao Bar do Mário, que ficava ao lado do jornal e tomava um lanche, voltava à redação, definia os textos que iriam entrar na Capa do jornal e deixava todo este material com Waldemar Gonçalves, Redator-chefe. Foi nesta mudança que cresceu o número de idas à redação de Vitor Gonçalves, que fazia divulgação para gravadoras.

Trazia uma quantidade enorme de Long Plays que eu publicava nas páginas de Variedades. Às vezes, ele trazia convites para lançamentos de discos, com shows em São Paulo. E lá ia eu para as coberturas. O fotógrafo era sempre Nelson Canessa e o motorista Mantelato, que acaba entrando nos eventos. Acompanhei o lançamento de do LP “Piano e Viola” de Taiguara, entrevistei Malcolm Roberts, que ganhara o Festival Internacional da Canção em 1969, com a música “Love is All” e nos anos de 1970 voltou ao Brasil para uma série de shows. Dentre outros, foi ao lançamento da banda “Quinteto Violado” em São Paulo, quando conheci Antonio Celso, apresentador da rádio Excelsior de São Paulo e comandava “A máquina do som”.

Duas vezes por semana eu passava pelo Cine Ipiranga, na rua Barão de Jundiaí e recolhia fotos e material de divulgação dos filmes que entrariam em cartaz. Fiz grandes amizades com o gerente Nelson e com o gerente-geral, senhor Jarbas, que me ajudou muito. As entrevistas sempre valiam uma chamada de capa, o que me fez voltar a publicar a “Papagaiada” que tinha sido interrompida com a minha saída do jornal.

Comandei a página até meados de 1974 quando, em agosto, o Jornal da Cidade contratou João Carlos Martinelli que vinha do JJ para reforçar a equipe. Martinelli, estudante de Direito, tinha um arquivo grande de fotos de artistas – fotos recordadas, principalmente da Revista Intervalo – e assumiu a página de Variedades. Nesta época o jornal perdia Jamil Giacomelo, que deixou a coluna social e passou a se dedicar ao ramo imobiliário. A coluna Papagaiada começou a ser dividida entre eu e Martinelli, mas acabou perdendo seu foco e desapareceu das páginas do Jornal da Cidade. (A seguir, as peças de teatro que trouxe para Jundiaí em 1973).

 

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/