Intervalo para promover teatro e a vinda de Walmor Chagas a Jundiaí

Por em 22 de junho de 2017

Walmor Chagas, Cazarré, Ivete Bonfá, Guilherme Correa e Ana Rosa foram alguns nomes do teatro brasileiro que trouxe para Jundiaí em 1973.

Jamais imaginei trazer peças de teatro para a cidade, mas as coisas aparecem na vida da gente de repente e tem que se aproveitar a ocasião. Foi um intervalo dentro do jornalismo, mas que não deixou de envolver o jornal. Walmor Chagas foi o primeiro. Isso em junho daquele ano. Poucos dias antes, a repórter Flavia Ceccantini chegou à redação, numa segunda-feira e veio me contar sobre a peça. Disse que deveria assistir, pois era muito boa e interessante, com textos de Fernando Pessoa, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, foi feita adaptação e surgiu a peça premiada “Labirinto, balanço de vida”, um monólogo que também deu prêmios a Walmor.

Curioso é que não demorou uma semana e Ofélia, da recepção, me ligou para dizer que o empresário de Walmor Chagas estava na portaria e queria informações sobre onde apresentar o espetáculo do ator. Ele entrou, conversou comigo e acabei me interessando pelo fato. Ele pediu Cr$ 8 mil para trazer o espetáculo para a cidade. Pedi 24 horas e ele me ligou para saber minha decisão. Eu já tinha conversado com seu Jarbas, gerente dos cinemas de Jundiaí que me oferecera o Polytheama e não me cobraria o aluguel. Ao empresário pedi Cr$ 6 mil e foi o valor que fechamos para apresentação no feriado de Corpus Christi daquele ano.

Assinamos o contrato, definimos o horário e, imediatamente, liguei para Carlos Abumrad, meu amigo jornalista, que trabalhava no Jornal de Jundiaí e estudava Direito no Anchieta. Pedi apoio do Diretório Acadêmico e divulgação. Fechamos os valores e começou a divulgação e venda de ingressos. No dia do espetáculo, passei no início da tarde pelo Polytheama e encontrei Walmor Chagas ensaiando. Disse a ele que os estudantes que estariam no local gostariam de “bater um papo” com ele após o espetáculo.

Acordo fechado, voltei para casa para me preparar. Eram 17 horas e Walmor entraria no palco às 20 horas. Me assustei ao ver gente fazendo fila na bilheteria. O Polytheama ficou lotado. Tinha gente sentada no chão para ver “Labirinto”. Algumas pessoas foram embora antes, reclamando que deveria haver duas sessões. Terminada a apresentação, Walmor conversou com os estudantes, falando muito sobre a pressão dos militares sobre os artistas. Dividi o dinheiro com o Diretório Acadêmico e fiquei com o valor de cinco salários que ganhava no jornal. Entusiasmado com a apresentação, acabei trazendo mais duas peças a Jundiaí:

“Um edifício chamado 200”, que fizera muito sucesso no Rio de Janeiro com Juca de Oliveira, mas em São Paulo, o ator principal era Guilherme Correa que veio a Jundiaí com sua esposa Ana Rosa. Nesta apresentação dividi a divulgação com Jamil Giacomello e tivemos apoio cultural da Vulcabrás. O lucro não foi tanto, mas deu para levar mais de 500 pessoas ao Polytheama. Por fim, veio “Marido, matriz e filial”, com Cazarré e Ivete Bonfá. Aqui não comprei o espetáculo, apenas ganhei 20% da renda e o aluguel foi por conta dos promotores do espetáculo. Além disso, houve duas sessões na mesma noite. Depois disso, a secretária municipal de Cultura de Jundiaí, Walquíria Lazarini, esteve na redação para conversar sobre o que eu fizera.

Estava acompanhada de um rapaz, César Foffa, que mais tarde virou apresentador da Rádio Globo de São Paulo, e hoje possui uma empresa de comunicações em Alfaville. Estes foram os espetáculos teatrais que trouxe para Jundiaí, mas o maior sucesso, sem dúvida, foi ter trazido Walmor Chagas, sucesso na televisão e no teatro e que superlotei o Polytheama. (A seguir, eventos e convite para a participação do Jornal da Cidade).

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/