Lembranças de um jornal que estava começando a crescer

Por em 7 de novembro de 2017

Apesar de ter nascido no final da década de 1960, o Jornal da Cidade mostrou que estava vivo na década seguinte. Quando ele nasceu havia dois diários na cidade: O Jornal de Jundiaí e o Diário. Na década de 1970, o JJ comprou o Diário e começou a circulação passou a ser feita no período da tarde. Mas Jundiaí não comportava três diários e o vespertino fechou.

Com a chegada de Waldemar Gonçalves ao JC, a circulação cresceu. As campanhas de assinatura, com distribuição de bolas e relógios aos assinantes novos, alavancaram as vendas. Para quem estava trabalhando no jornal, a satisfação era grande. Ouvir o telefone tocar, com leitores sugerindo pautas ou alguém aparecer no balcão para pedir uma publicação.

O que mais achávamos curioso eram pessoas levando fotos para publicar o aniversário na página social e ouvíamos a frase: “sou sócio do jornal’, como se assinante fosse ser sócio… Curioso é ver relatos de ex-colegas de trabalho, que viveram dentro da mesma redação comigo, nesta primeira fase de jornalismo. Aurélio Rodella é um deles.

Sua função era fotografar os fatos, mas ele se lembra, em seu depoimento de curiosidades dentro do Jornal da Cidade: “comecei no dia 15 de maio de 1971 e o batismo dos novatos indo buscar a calandra na oficina é inesquecível. Até o fato de Carlos Ramos, o editor-chefe, trabalhar só de cueca e aparecer, na portaria o Coronel Madureira e ele precisou pedir ajuda ao Machadinho (Ordival Seckler Machado) para ir recepcionar o homem enquanto ele se arrumava. Não me lembro quem, mas alguém inventou uma história de um fantasma que aparecia à noite na Anhanguera. Era uma loira e isso rendia matéria no jornal e vendia muito!” Aurélio lembra que o bar ao lado do jornal – o Bar do seu Mário – era ponto de encontro dos funcionários do jornal. “Seu Mário e dona Ana eram ótimas pessoas e ali a gente ia almoçar ou comer um sanduba de mortadela.

Tem um personagem inesquecível na minha época. Era o seu Manolo – seu Manuel – que trabalhava à noite e fazia um café delicioso.” Aurélio lembra ainda da inauguração da offset no final da década. “O governador Laudo Natel veio inaugurar a impressora. Quem trouxe o homem foi o Duílio Buzanelli que era assessor do governador e eu fotografei o fato”. Enquanto Aurélio se lembra da inauguração da nova impressora, José Luiz Bellini César se recorda das funções que ocupou no Jornal da Cidade e de muitos nomes de jornalistas da época.

Ele conta que “entrei no JC em 1972, pelas mãos do amigo Jamil. Vocês tinha uma vaga para revisor noturno e eu fui lá atrás do meu primeiro emprego. Tive o prazer de trabalhar e conhecer muitas pessoas. Lembro de Waldemar Gonçalves, Nelson Manzatto, Ademir Fernandes, o ‘foca’ Sidney Mazzoni, Flávia Ceccantini, Plínio Vicente, o sempre alegre Paschoal, o Sérgio Swain Muller, hoje dr. Sérgio Muller, diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu, o professor Adelino Brandão, articulista exigente e cuidadoso com seus textos recheados de um português correto.

Tinha ainda o Jamil, o Mércio, Anselmo, Aurélio, Elio Furuta, no clichê e charges Marron, o Carlos Ramos, o ‘velho’ Arlindo, Américo Salas, a Ofélia, a Léia, o Valmir, o Lazinho da circulação, o Cunha e o filho Roberto, Gustavo e Pedrão. Depois da revisão passei a fazer alguns textos, ajudando o Jamil, nas festas e nas legendas de fotos, já que haviam muitos eventos e ele não podia estar em todos ao mesmo tempo. Ajudei na elaboração de matérias de variedades e Automobilismo e me lembro também do Lívio Tagliacarne. Boca suja e coração de ouro. Enfim, foi uma fase curta em minha vida, mas tão intensa e gostosa que jamais esquecerei. Saí em 1973 para servir o Exército no 12º GAC.”

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/