Colunistas sociais em destaque

Por em 22 de novembro de 2017

Jamil Giacomello foi o primeiro colunista social que conheci. Quando comecei no Jornal da Cidade, em 1970, ele já era o colunista. Jamil havia estudado no Colégio Divino Salvador, havia lançado um livro de poemas e era destaque na sociedade jundiaiense, o que o ajudava em seu trabalho de colunista. É ele quem conta: “comecei no jornal no tempo do Sandro Vaia, do pessoal do Jornal da Tarde que trabalhava aqui e lá. Passei por vários editores, como Waldemar Gonçalves, que era muito rápido para escrever e pautar, tinha o Ramos (Carlos Roberto Ramos), o Seckler Machado (Ordival Sekler Machado).

Lembro que a gente trabalhava por ideal, um cobria o outro. Eu fazia a coluna social, mas ajudava na página Jovem, às vezes política, polícia, coluna literária, fazia um pouco de tudo. Lembro dos trotes nos novatos, como o ir buscar um quilowats na Rádio Santos Dumont, pegar a calandra na oficina, quando jogávamos bola na praça da antiga rodoviária de madrugada, a brincadeira de jogar rolos de originais nos colegas. E sabíamos que estes fatos sempre chegavam aos ouvidos da direção do jornal. E era o dr. Gustavo que cobrava da gente o fim das brincadeiras.

Tudo para descontrair o estresse da redação. Lembro ainda que certa vez, acho que nos tempos do Seckler Machado, demos um grande furo internacional: como o jornal fechava tarde, o Rei Faiçal havia morrido e fomos o único jornal a publicar o fato. E o trabalho era feito por ideal, tínhamos vontade de ver o jornal crescer e ser líder na região. E seria uma grande satisfação ver isso acontecer com a gente trabalhando lá.” Jamil deixou o jornal em 1974, mudando para o ramo imobiliário. Em seu lugar veio Ademir Gonçalves. Ele lembra que não ficou muito tempo no jornal, mas havia começado antes da saída do Jamil. “Comecei como revisor, trazido pelo Ademir Fernandes que fazia Esportes. Nunca fui um grande revisor, mas vinha atuando na função até que o Jamil saiu.

Acabei assumindo a função de colunista social e o trabalho era mais identificação de fotos de casamentos e festas de aniversários ou alguns jantares de entidades e shows no Clube Jundiaiense, Grêmio ou Tênis Clube. Lembro de alguns colegas de trabalho, pessoas que marcaram minha vida. Lembro da Ofélia Picolo (recepcionista), Mércio de Oliveira, o cartunista Marron, você e sua Papagaiada. São muitos os nomes, muitas lembranças. Apesar do pouco tempo, o jornal me deixou saudade.” Depois da saída de Ademir, quem assumiu a coluna social foi Alcir de Oliveira que depois foi diagramador, editor de Variedades quando criou a coluna “Rê rê rê”, parecida com a Papagaiada, e na década de 1980 assumiu o cargo de Editor-Chefe, onde permanece até hoje.

Elza Francisca de Carvalho também chegou a ser colunista social, até que Theo Conceição, que já fora repórter esportivo assumiu a função e é colunista até hoje, desta feita no Jornal de Jundiaí onde está desde a década de 1990. O Jornal da Cidade inovou no colunismo, criando uma segunda coluna, esta feita por Sérgio Bochino. Um estilo diferente de escrever e de divulgar os fatos da cidade. Havia, então, uma coluna mais popular, no estilo comentado aqui por Ademir Gonçalves, mas onde tínhamos de ter o cuidado de publicar os aniversariantes – na maioria assinantes do jornal – e que queriam ver sua foto publicada, e a coluna de Bochino.

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/