O grande trabalho de Plínio Vicente no JC

Por em 29 de novembro de 2017

Conheci Plínio Vicente da Silva na década de 1960. Por ser amigo de meu irmão mais velho, Ademir, algumas vezes Plínio aparecia em casa ou, no primeiro de maio, fazíamos pic-nic juntos.

O ponto de encontro era o Seminário Jordaniano, em Várzea Paulista, onde os Congregados Marianos da Vila Arens jogavam contra os seminaristas e depois passamos a tarde juntos. Por conta da paralisia infantil, Plínio era o técnico do time. Nesta mesma época, Plínio era locutor na rádio Difusora, de onde saiu para trabalhar nos escritórios da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Fui reencontrar Plínio em 1972 quando ele chegou ao Jornal da Cidade para assumir a editoria de Esportes, já que Ademir Fernandes estava deixando a empresa. Seu trabalho e dedicação chamaram a atenção da direção do jornal e seu espaço foi crescendo aos poucos.

Quando deixei a Secretaria de Redação ou Chefia de Reportagem, no final de 1972, para buscar a sorte em Campinas, Plínio assumiu meu lugar e quando voltei, cinco meses depois, já cursando a Faculdade de Jornalismo, ele foi mantido no cargo. No ano seguinte, o jornal contratou Theo Conceição que chegava para fazer esportes e Plínio foi convidado – e aceitou – a assumir o cargo de responsável pela área comercial. Nancy Silva e Maria Angela de Oliveira Ferrazzo ficaram na equipe de Plínio.

Theo não seu acertou na área de esportes. Sérgio Muller e Sidney Mazzoni eram uma espécie de estagiários na redação. Faziam o Colegial no Instituto de Educação e depois corriam para buscar espaço no jornal. Ademir Fernandes voltou, mas por pouco tempo e Mazzoni foi efetivado na editoria até assumir o comando da mesma. Com bom faturamento, a equipe foi ganhando prestígio e suplementos especiais eram editados constantemente. No início de 1977 deixei o jornal e Plínio retornou à redação.

No ano seguinte quem deixa a empresa é Waldemar Gonçalves que se aposentara e estava cansado da rotina de redação e Plínio se transformou em Editor-Chefe. Foi com Plínio Vicente, Aurélio Rodella e Nelson Cardin, do Clube Jundiaiense, que lançamos, em 1976, o Jornal do Clube Jundiaiense, primeiro jornal de um clube da cidade e que acabou virando revista.

Cansado da rotina da cidade, e buscando novos horizontes, em 1979 Plínio não só deixou o jornal como também deixou a cidade e o Estado. Mudou-se para Boa Vista, Roraima. A paralisia infantil nunca foi problema para ele, tanto que naquela região acabou se transformando em correspondente do O Estado de S. Paulo e chegou a trabalhar na prefeitura da cidade.

Ficou difícil sua volta a Jundiaí, mas Plínio Vicente da Silva foi um grande nome dentro do Jornal da Cidade e foi por suas mãos que o Jornal da Cidade ganhou uma grande estrutura e começou a montar uma grande equipe de jornalistas.

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/