Busca por cirurgia na córnea dispara

Por em 25 de julho de 2018
Busca por cirurgia na córnea dispara

Prazo final para inclusão do crosslinking nos planos de saúde faz busca pela cirurgia atingir pico, mostra relatório.

Relatório do Google mostra que no Brasil a busca de informação sobre crosslinking, único tratamento que interrompe a progressão do ceratocone, atingiu o auge em meados deste mês e voltou a subir em 19 de julho. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto Instituto Penido Burnier de Campinas a procura nos consultórios também aumentou este mês. Levantamento feito pelo hospital revela que os estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina lideram o interesse pelo procedimento. “O ceratocone não é contagioso, mas deforma a córnea, lente externa do olho responsável pela refração e é uma importante questão da saúde pública porque responde por 7 em cada 10 transplantes no país. O repentino aumento da busca pelo crosslinking está acontecendo porque a ANS (Agência Nacional de Saúde) determinou que todos os planos de saúde deveriam regulamentar até 30 de junho a cobertura da cirurgia”, afirma.

Mais da metade não pode pagar a cirurgia

Nem poderia ser diferente. Mais da metade, 52%, dos que têm indicação para a cirurgia não podem pagar pelo procedimento. É o que mostra uma pesquisa feita este ano por Queiroz Neto com 1318 portadores de ceratocone para medir a eficácia da associação de tratamentos. O especialista conta que a pesquisa dividiu os participantes em dois grupos. Um que já tinha passado pelo crosslinking com 398 participantes e outro que não tinha feito a cirurgia com 920 pessoas.

“O crosslinking associa a aplicação de radiação UV (Ultravioleta) no epitélio, camada externa da córnea, com riboflavina (vitamina B 12). O resultado é o aumento da resistência da córnea em até três vezes e a interrupção da progressão do ceratocone que leva ao transplante” afirma. Só é contraindicada em córneas muito finas ou com cicatrizes, para quem tem herpes ocular e mulheres em período de gestação, salienta. A pesquisa mostra que a cirurgia estabiliza o ceratocone em 86,9% dos casos e 45% têm melhora da visão. O médico destaca que a completa recuperação geralmente acontece em trinta dias

Colaboração: Eutrópia Turazzi