Nova etapa: trabalhando no Diário Popular

Por em 9 de outubro de 2018

Quando liguei para Jorge Miranda Jordão, diretor de redação do Diário Popular, disse a ele que sabia que estavam ocorrendo demissões no “Estadão” e que alguém poderia procurar emprego com ele, então estava tentando me antecipar. A resposta dele foi de que muitos jornalistas já o tinham procurado, mas que me ligaria, “um abraço”, encerrou ele a conversa.

Fiquei preocupado, porque quando alguém diz que vai ligar, significa que não fará isso. Mas três dias depois o telefone tocou e era Miranda Jordão, pedindo para que fosse procurá-lo no Diário no início da tarde seguinte e levasse os documentos. A conversa foi curta, até porque Miranda não era de muito papo. Disse que tinha uma vaga de subeditor de Economia e que poderia começar, se quisesse, no dia seguinte. Aceitei imediatamente, fui ao RH com os documentos e já marcaram, no mesmo dia, Exame Admissional.

No dia seguinte fui apresentado por Miranda ao editor de Economia, Paulo Roberto Lopes e dois subeditores: Angela e Alexandre Basile, que era redator na Rádio Bandeirantes. E o serviço começou. Trabalhar em São Paulo pareceu, no início, tranquilo. A Editoria tinha duas páginas diárias e a maior parte do material vinha pelas agências Estado e Jornal do Brasil. De todo material que chegava, Lopes selecionava o que achava mais importante e enviava para os subs para corrigirem inicialmente os textos e enviar para a pasta dos “publicáveis”. De posse das páginas, Lopes recebia auxílio de um diagramador e nos encaminhava medidas de títulos e tamanho de textos. O trabalho de edição era rápido, mas era preciso muita atenção. Até porque, Economia sempre exigiu números e isso precisava de um cuidado especial. Nesta época – 1992 – morava em Campinas e minha viagem diária a São Paulo começava por volta das 15 horas.

Chegava a São Paulo, no Terminal Tietê, uma hora, uma hora e quinze depois. Tomava o Metrô até a estação Anhangabaú e subia até a rua Major Quedinho, onde antigamente funcionava o jornal O Estado de S. Paulo. A editoria de Economia ficava praticamente no meio da redação. Logo na entrada da redação, havia a sala do diretor de redação, Miranda Jordão que tinha Luizinho, como editor-chefe e Joaquim, como editor-executivo. A primeira ilha de edição era Interior, comandada por Mauro e já nos conhecíamos, por conta da troca de matérias, já ditas aqui, sobre Campinas. Na segunda ilha era Política, comandada por Cacá, que tinha duas subeditoras, depois Economia, em seguida “Sindical” e “Internacional”. Eram duas fileiras de ilhas.

A outra fileira tinha a editoria de Cidades e Geral, onde os repórteres escreviam, muitas vezes, para todas as editorias. Depois desta grande ilha, havia a de Polícia, comandada por Paulo Breitner. A redação, na verdade, tinha dois salões: o primeiro este que relatei aqui e o segundo, entrando à esquerda onde estava a editoria de Variedades e Esportes. Sonia Abraão era uma pessoa com quem cruzava todo dia. Por conta do tamanho do jornal, não cheguei nunca a conhecer todos os jornalistas, tanto que alguns aqui, não sabia nem o nome completo.

O trabalho de edição terminava por volta das 22h30, 22h45. Se sorte que, por volta das 23 horas, estava novamente no Cometa, retornando para Campinas. Meia-noite ou dez minutos depois estava em casa. O Diário Popular era conhecido como o “Rei da Banca”, já que sua venda ocorria apenas ali. Não havia assinaturas e um preço bem acessível ao leitor. Nem colorido era. Por conta disso, o jornal não circulava nem no dia de Natal, nem no primeiro de ano, já que a maioria das bancas ficavam fechadas nestes dias. Assim, duas vezes por ano, tínhamos certeza de folga.

Havia revezamento nos finais de semana: Paulo Lopes cobria um, Alexandre Basile o outro e eu e Angela o terceiro. Finais de semana prolongados também tinham plantões, mas Paulo Lopes optava por cobrir sempre. Apenas pedia a um dos subeditores que o auxiliasse.

Miranda Jordão cobria um plantão, Luizinho outro e Joaquim o terceiro, mas sempre tive sorte em cair com o diretor de redação. Era rápido, objetivo. Às 17 horas, ele já tinha o desenho da capa pronta e chamava os editores, um de cada vez, à sua sala, para definir assuntos que mereciam destaque. Era comum ele definir, como título de manchete o que o editor tinha escolhido para a página interna, e aí, era necessário mudar, porque não era permitido título igual na capa e na página interna. Mas sempre, por volta das 19 horas, nos dias de plantão, eu já estava no Cometa, voltando para casa.

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/