Bombeiros retomam as buscas por sobreviventes em Brumadinho

Por em 28 de janeiro de 2019
Bombeiros retomam as buscas por sobreviventes em Brumadinho

O risco de rompimento da barragem da represa da Mina Córrego do Feijão diminuiu e as buscas por corpos continuam nesta segunda-feira em Brumadinho, informou a Defesa Civil. Segundo o tenente coronel Godinho, um dos coordenadores da operação de resgate. O número de desaparecidos chega a 305, segundo o último boletim, divulgado na noite de domingo.

Parentes de desaparecidos se revoltaram com a dificuldade de informações e protestaram ontem, pedindo a presença do Exército nos trabalhos, que ficaram paralisados em função do alerta de deslizamento da barragem da represa. O nível de alerta só baixou depois das 16h de ontem, depois que a Vale conseguiu bombear e drenar parte da água da represa.

Hoje, o trabalho de resgate vai receber o reforço de 136 militares de Israel, que chegaram ontem em Belo Horizonte, com 16 toneladas de equipamentos de alta tecnologia, como sonares usados em submarinos para localizar pessoas em grandes profundidades. Cães farejadores também foram enviados pelo governo de Israel. A previsão é de que os israelenses ajudem nas buscas durante uma semana. A missão é chefiada pelo embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley.

Em meio às cobranças sobre a reincidência da Vale num desastre ambiental de grandes proporções como o de Brumadinho, o presidente da companhia, Fabio Schvartsman, prometeu ontem “criar um colchão de segurança bastante superior” ao que a mineradora tem hoje “para garantir que nunca mais aconteça um negócio desse”. Em entrevista à GloboNews em Minas, ele descreveu medidas tomadas desde o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, em 2015, de responsabilidade da Samarco (sociedade entre Vale e BHP Billiton) e concluiu que será preciso “ir além e acima” do que já vinha sendo feito para prevenir acidentes.

O Ministério da Cidadania vai antecipar o pagamento de fevereiro do Bolsa Família a 1.506 famílias de Brumadinho, que estão inscritas no programa, e foram atingidas, de alguma forma, pela ruptura da barragem da Vale no município.

A onda de lama chegou ao rio Paraopeba, mas, segundo o governo, começou a perder força. Na tarde de ontem, os rejeitos se movimentavam a uma velocidade de menos de um quilômetro por hora, em direção à Hidrelétrica de Retiro Baixo, a cerca de 286 quilômetros do local do desastre. O reservatório é considerado estratégico pelos técnicos do governo para impedir que os rejeitos de minério contaminem o rio São Francisco, provocando um desastre ambiental ainda mais elevado que o registrado na chamada “zona vermelha”.