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Publicado em 29/01/2008 |
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Contra o amor... e outras coisas do gênero |
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Eldes Ferreira de Lima
eldo75@hotmail.com
Tudo bem, admito. Esse não é o melhor jeito de começar as coisas. Confessar-se contra o amor é a maneira mais fácil de arrumar confusão. Nenhuma mulher ouve isso calmamente e ninguém briga tão bem quanto elas. E elas estão certas em defender o amor. Afinal, ele foi feito para elas. Sim, porque é quase um consenso dizer que não há nada mais bonito do que uma mulher amando. Nada como aquele sorriso sem fim, aqueles olhos iluminados e um corpo que explode em movimentos espontâneos e alegres. Os que não concordam com isso, afirmam que nada é mais bonito do que uma mulher sofrendo por amor (e alguma sofre por outra coisa?). Então a beleza é a voz embargada, os olhos marejados e um corpo que se contrai pedindo abraços. Muito lugar comum? E quem não vive no lugar comum? Você?! É muito lugar comum dizer isso, sabia?
Agora, se você é homem, sabe que temos todos os motivos do mundo para sermos contra o amor. Essa "coisa" que nos torna mais ridículos que o habitual. Ridículos e incompreendidos, porque ninguém nos entende. Nem nós mesmos. Possivelmente, só há uma coisa mais detestável do que a nossa forma de amar, a nossa de sofrer. Homens-sofrendo-por-amor são insuportáveis. Exceto, talvez, aqueles que se tornam alcoólatras. Esses, ao menos, dão sossego depois que caem, bêbados. Dão sossego e pena. Porque homem bêbado é como cão sarnento. Você pode até ter nojo, mas sempre quer ajudar. Já mulher bêbada é uma coisa degradante. Todo mundo quer distância. Afinal, não é isso que se espera de uma mulher. Como também ninguém espera que a gente se apaixone de verdade. Sobretudo, as mulheres. Elas não suportam que ninguém ame mais do que elas! Se não acredita, diga sinceramente que ama uma mulher e assista, em exatos cinco minutos, toda surpresa e felicidade dela se transformando em preocupação, indignação, raiva e em instintos assassinos.
Por isso, se você é homem, não sinta amor ou coisas do gênero. Considere o "amor" uma necessidade-que-a-natureza-inventou-para-machos-e-fêmeas-criarem-os-filhos, uma parceria que atende interesses comuns ou ainda uma forma de ter sexo sem muito esforço. Resumindo: não sinta nem acredite no amor. Prefira acreditar em coisas menos fantasiosas, como em duendes. Também não invente de dizer que está apaixonado nem escreva cartas de amor.
Essas coisas envergonham a gente para o resto da vida. Mas se você já fez tudo isso e ela lhe abandonou. Fazer o quê? Chame seus amigos e encha a cara sem qualquer dignidade. É, fique completamente bêbado e a aproveite para chorar e dizer-que-ainda-ama-aquela-ingrata. Não se importe que as pessoas vão olhar. Você está bêbado. E se seus amigos ficarem com vergonha e lhe deixarem sozinho, melhor! Capriche na cara de cachorro sarnento que logo uma mulher vai ficar com pena de você e...desta vez, não vá assustá-la dizendo que a ama ou coisas do gênero! |
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Mestre em Letras pela UFMS e escritor, Eldes Ferreira tem 30 anos e, desde agosto de 2005, reside em Paris. Entre seus trabalhos publicados, o mais recente é o conto "Save me!" em "Sex’n’bossa - Antologia di narrativa erotica brasiliana" (2005), editado na Itália pela Mondadori. |
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