Virtudes relegadas…

Por em 23 de agosto de 2012

Caros amigos, nós seres humanos conseguimos a proeza de “errar”, mesmo quando com a melhor das boas intenções pretendemos “acertar”, o que se traduz em dificuldades maiores nos nossos relacionamentos, quer profissionais, pessoais e principalmente familiares…

Esta é uma confissão de culpa, é o reconhecimento de que, sempre bem intencionado, ultrapassei os limites da boa convivência, e ao agir assim, consegui magoar e distanciar-me das pessoas que mais amo, que são minha esposa, meus filhos, meus netos e meus amigos…

Terei que reencontrar uma “virtude humana” que talvez tenha relegado a segundo plano, ou provavelmente nunca a cultivei em meu comportamento pessoal, qual seja a de “silenciar e deixar de emitir minhas opiniões”, quando o assunto não me diz respeito, ou que devia ser objeto da decisão especifica de quem estava vivendo o problema…
“Silenciar” sobre o que não lhe diz respeito é uma “virtude que deixarei de relegar a segundo plano”, muito embora quando for solicitado, estarei disponível para ajudar à aqueles que me procurarem, como espero que me ajudem quando estiver necessitando desta ajuda…

Outra “virtude” que releguei através dos tempos foi a “docitude” nas minhas palavras, sim é um neologismo, que em minha idéia representa um conjunto de qualidades na comunicação verbal, quais sejam: “calma”, “tranqüilidade ao falar”, “tom ameno”, “menos impetuosidade”, pois, este conjunto quando aplicado em minha voz a tornará mais agradável às pessoas, e estas estarão mais dispostas a dialogar comigo…
Lamentavelmente, os anos passam, os cabelos embranquecem, a data da partida para outro plano se aproxima, e eu ainda não consegui recuperar as chamadas “virtudes relegadas”, e portanto, as críticas recebidas, são emitidas com uma freqüência contínua, porém, devo reconhecer são merecidas, o que me fazem repensar, reavaliar, sobre a minha melhoria comportamental…

Muitas vezes, me credito direitos que não sou possuidor, e com a melhor das intenções, ultrapasso limites em minhas colocações, que ferem profundamente as pessoas que amo, resultando em colocações, tais como:
“Você me trata como uma criança de cinco anos, e isto me irrita”…

“Você impõe as suas idéias, e elas em sua opinião sempre devem prevalecer”…

“Você invade o espaço das pessoas, você chega a anula-las”…

“Não pense por minha mãe, ela tem as suas próprias idéias”…

A vida do ser humano é uma obra fantástica, é um período que nós espíritas entendemos ser a época de crescimento e de aprimoramento espiritual, e nela vivemos momentos felizes, outros nem tanto, momentos doces, outros amargos, momentos de chegadas, outros de partidas, sonhos alcançados, outros inatingíveis, porém, acima de tudo é um período que não devemos desperdiçá-lo, com a “renegação de virtudes”, devemos sim, aproveitar esses momentos para aplicar as nossas “virtudes” a todo instante…

Ame profundamente as pessoas, respeite as pessoas como você gosta de ser respeitado, use somente o seu espaço, permita que os demais tenham o “livre arbítrio” de suas escolhas, aprenda a viver a sua vida, somente a sua, pois já estarás fazendo muito, por ti mesmo…

Quando o grande Mestre disse; “Respeite ao próximo, como a ti mesmo” Ele foi profundo e completo como sempre, declarando que devemos e precisamos nos respeitar acima de tudo, mas jamais nos creditou o “direito” de não respeitarmos ao nosso irmão, pois sua referência primeira foi clara “Respeite ao próximo…”

Sinto-me aliviado em escrever estas idéias, porém, tenho consciência de que nada valerão se em minhas atitudes não começar a “resgatar as virtudes perdidas ou nunca tidas”…
Termino sempre minhas crônicas com o bordão “Acooorda Brasiiil”, que neste momento transforma-se em outro mais importante “Acooorda Justiiino”, antes que seja tarde demais…

O desprendimento em abrir meu coração com as palavras acima, é que muito provavelmente, outros estejam vivendo a mesma situação e não tenham conseguido ser alertados por aqueles que o rodeiam, o “Acooorda Justiiino” pode servir com um humilde alerta…

“A pessoa certa, é a que está ao seu lado nos momentos incertos”
– Pablo Neruda

Prof. Carlos Justino da Silveira

Graduado em Pedagogia, Mestre em Administração de Empresas e Controladoria, atua na área de ensino, e atualmente em Consultoria e treinamento de pessoal, sendo Professor de Administração e Gestão Manufatureira e de Serviços do Centro Universitário de Santo André – UNIÁ.