Não faça do seu carro um boteco…

Por em 9 de outubro de 2012

Caros amigos, a impressão que tenho é que o título desta crônica é praticado às avessas, quando uma grande quantidade de irresponsáveis coloca em risco, não somente suas vidas, mas acima de tudo e principalmente ceifam a vida de pessoas, que são trucidadas pelo simples fato de terem cruzado a frente de “botecos ambulantes” que circulam por nossas avenidas…

Esperávamos que a situação dos homicídios praticados através dos “botecos ambulantes” seria resolvida, ou pelos menos minimizada com a entrada em vigor da aferição etílica dos motoristas através do teste do bafômetro, porém esquecemos que estamos no Brasil, onde a impunidade é a maior do planeta, e os bêbados continuam ao volante de seus bólidos, e amparados pelos seus advogados, que lhes garantem que “ninguém é obrigado a fazer prova contra si”, e o bafômetro perde a sua função inibidora…

Nada contra o direito das pessoas beberem, nada contra as pessoas dirigirem seus carros, tudo contra a somatória do volante nas mãos de um bêbado, mesmo porque quem se encontra alcoolizado, ou sob o efeito de outra droga qualquer, não se encontra em condições mínimas de discernimento dirigir um veículo, respeitando os direitos dos demais…

O noticiário é farto sobre casos de “botecos ambulantes” que ceifaram vidas e cometeram as maiores barbaridades no trânsito com as mais tristes conseqüências para a sociedade, porém pouco ou nada tem sido feito para coibir estes abusos, e as famílias perdem seus entes queridos sob o efeito do álcool de cidadãos irresponsáveis, que recebem o beneplácito de leis que confundem liberdade com libertinagem…

Se recorrermos às estatísticas, chegaremos à triste conclusão de que os motoristas que se dedicam as bebidas são normalmente pessoas que aproveitam os finais de semana, para entornarem o máximo possível de bebida, desconhecendo os seus limites e também os limites impostos pela legislação e saem pelas ruas e pelas madrugadas, matando e ferindo inocentes de forma cruel e desenfreada…

Não se trata somente da Legislação que deveria ser aplicada sem nenhuma condescendência, mas acima de tudo lutamos contra uma total falta de consciência das pessoas quanto ao respeito aos direitos de seus semelhantes, ao pegarem o volante de seus bólidos sob o efeito do álcool, estão em realidade assumindo o risco de tornarem-se homicidas…

Infelizmente em nosso país, por mais que tentemos não acreditar, temos demonstrações claras de que nossa justiça julga as pessoas em razão de seu poder aquisitivo, visto que alguns abonados contratam advogados renomados, e estes conseguem que seus clientes sejam tratados diferentemente, e seus processos quando abertos, são normalmente transformados em “crimes culposos”, enquanto que o “dolo” fica arquivado embaixo dos tapetes, e ao final do processo, trocam-se algumas “vidas por algumas cestas básicas”, e os bêbados continuam dirigindo seus bólidos sob o efeito das bebidas em geral…

Acooorda Brasiiil vamos criar vergonha na cara, e atuar de forma honesta e justa contra os bêbados que transforma seus bólidos em verdadeiros botecos ambulantes, levando à morte e o sofrimento às famílias brasileiras que lamentavelmente tiveram seus filhos alcançados pela irresponsabilidade daqueles que dirigem embriagados e de todos aqueles que garantem a impunidade destes assassinos do volante…

E em nossa mídia verificamos uma enorme quantidade de propagandas incentivando os jovens à bebida, e no máximo, colocam aquele velho e inofensivo jargão, “se dirigir não beba” e “se beber não dirija”, só faltando completar, “mas se matar ao volante, diga não ao bafômetro, pois você não é obrigado a construir prova contra você”;
Significa concluir que a impunidade está garantida, pelo menos aos bem nascidos…

Prof. Carlos Justino da Silveira

Graduado em Pedagogia, Mestre em Administração de Empresas e Controladoria, atua na área de ensino, e atualmente em Consultoria e treinamento de pessoal, sendo Professor de Administração e Gestão Manufatureira e de Serviços do Centro Universitário de Santo André – UNIÁ.