Escoteiros acampam na Serra do Japi

Por em 18 de novembro de 2012
Jornal de Itupeva

Cerca de 60 jovens participaram, entre os dias 15 e 18 de novembro, do acampamento “Rataplan”, que aconteceu na Fazenda Bonifácio, na Serra do Japi, em Jundiaí. Tropas escoteiras dos grupos: Itupeva, João Paulo II, Fenix e Curuqui, que participou do acampamento com duas tropas.

O local escolhido foi para a realização do evento foi a Fazenda Bonifácio, que ofereceu 36 hectares de muito verde, água potável e amplo local para a montagem do campo e realização de inúmeras atividades com a tropa como: reunião escoteira, culto, fogo de conselho, pista de corda com 7 obstáculos, fio de Ariadne (labirinto às escuras na mata) e pista de progressão diurna (com rastejo e transposição de obstáculos).

Deixar a sede e entrar em contato direto com a natureza durante alguns dias é uma experiência que realmente motiva o escoteiro. É no acampamento que o jovem coloca em prática todas as técnicas escoteiras, mateiras, de segurança, ou seja, tudo aquilo que aprende em seus grupos, dando oportunidade ao crescimento do espírito escoteiro.

Logo que chegam ao campo, os escoteiros montam barracas, as pioneirias de patrulha, cozinham suas as próprias refeições, divertem-se em jogos, cantam no evento denominado “Fogo de Conselho” e são submetidos a diversas atividades, palestras e pistas de transposição de obstáculos. São momentos que cada jovem vai se lembrar por muito tempo, principalmente por ter vivenciado a união e a fraternidade escoteira.
O acampamento “Rataplan” foi elogiado por todos os jovens participantes e considerado pelos organizadores um grande sucesso. Apesar de todos estarem distantes do centro urbano e expostos a insetos e animais peçonhentos, nenhum acidente foi registrado durante os quatro dias no campo.

Para o coordenador distrital escoteiro, Roberto Agostinho, o acampamento serviu para que o jovem colocasse em prática o aprendizado teórico recebido em seus respectivos grupos. “Procuramos fazer um bom planejamento e eliminar todas as possibilidades de acidentes. Para nós, além do aprendizado, uma boa alimentação e exercitação dos conhecimentos dos jovens, o mais importante é a segurança de cada integrante. Estamos satisfeitos e voltamos para casa com a sensação do dever cumprido”, disse.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Participação do Exército Brasileiro

Exercícios de Sobrevivência na Selva

Ponto importante do acampamento foi uma palestra, ministrada pelo subtentente César, do 12º Grupo de Artilharia de Campanha (Exército Brasileiro). Com auxílio de dois alunos do Curso de Formação de Sargentos, o militar, após fazer demonstração de procedimentos de primeiros-socorros, apresentou técnicas de sobrevivência na selva, demonstrando quais alimentos podem ser consumidos em situação de necessidade, bem como os frutos da região que oferecem água para evitar a desidratação e, consequentemente, a morte.

Curiosidade total

Os jovens ficaram atentos a todo instante da palestra e demonstraram interesse total ao tema. Ponto que mais chamou a atenção de todos foi quando o subtenente extraia água de bambus para beber. Em alguns dos cortes, o militar encontrou larvas que, em situação de emergência serve para serem consumidas. E como demonstração, as larvas chegaram a ser comidas pelos militares.

Com 30 anos de vida militar, o subtenente César carrega em seu currículo a experiência adquirida no CIGS – Centro de Instrução de Guerra na Selva, reconhecido como um dos principais centros de formação de combatentes da selva, que exige do combatente muita dedicação, garra e persistência, em 11 semanas de curso, sendo nove delas na selva.

BADEN-POWELL: fundador do Escotismo

Robert Stephenson Smyth Baden-Powell (BP) nasceu em Londres a 22 de Fevereiro de 1857. Foi o quinto dos sete filhos do Reverendo Professor Baden-Powell.

Foi com seu irmão mais velho que o BP aprendeu a manobrar um barco, a acampar, a cozinhar e a obedecer às ordens com rapidez e elegância. Fizeram expedições por todo o país e mares vizinhos, e assim BP aprendeu as regras da exploração e da vida ao ar livre.

BP costumava ir para aos jardins da escola Chatterhouse, onde estudou , para observar os animais, apanhar por vezes um coelho, que assava numa fogueira e aí desenvolvia as suas habilidades na construção de abrigos e aprendia a usar um pequeno machado.

Era muito popular na escola, mas não era um estudante de grande evidência ou um grande atleta, embora tomasse parte em muitas atividades com toda a energia que tinha, e esta era considerável. Tinha habilidade para desenhar, para cantar canções cômicas e para representar, e em toda a sua vida usou em cheio todos estes talentos.

Em 1876 fez exame de aptidão à Academia Militar e fê-lo tão bem que imediatamente recebeu a patente de Alferes do Regimento de Hussardos nº 13, então colocado na Índia. Muito cedo se distinguiu não só pelo zelo no cumprimento dos seus deveres, mas também nas habilidades desportivas e boa camaradagem. De tal modo que em 1883, com a idade de 26 anos, era Capitão e Ajudante do Regimento. Era perito em exploração e espionagem; tanto assim, que foi autoridade reconhecida nestes assuntos. Como desportista notabilizou-se na montaria ao Javali – desporto arriscadíssimo mas muito apreciado pela equitação e pela perspicácia que exige no seguimento das pistas. Muitas vezes vagueava sozinho pelas regiões mais silvestres, observando os animais e aprendendo-lhes os costumes.

Como passatempo, estava sempre desejoso, tanto de cantar uma canção e tomar parte num concerto ou ópera, como de pintar um cenário ou desenhar os populares.
O regimento deixou a Índia em 1884 e no regresso a viagem foi interrompida no Natal (território da África do Sul) porque se receava um conflito com os Boers. Foi durante esta primeira primeira visita àquela região que BP entrou em contacto com os Zulus. Começou então a colher informações secretas, disfarçado de jornalista.

Em 1887 foi de novo para África como ajudante de campo de seu tio, que era Governador da Província do Cabo. BP satisfez o seu primeiro desejo de serviço ativo numa campanha contra os Zulus. Foi então que ouviu o coro “Ingoniama” cantado por uma coluna de Zulus em marcha. Os nativos deram-lhe o nome “M’hlaha Panzi” – o homem que se deita para disparar – significado que ele tinha cuidado ao apontar ou pensava antes de agir.

Em seguida fez serviço em Malta e simultaneamente foi nomeado Oficial de Informação para o Mediterrâneo. Isto deu-lhe mais aventuras como espião e ensinou-lhe ainda mais da exploração.
Em 1893 foi escolhido para uma missão especial contra os Ashanti.
Muitas das suas experiências de observação e dedução, bem como muitos dos episódios que viveu foram por ele mais tarde aproveitados na educação dos jovens Escoteiros.

A missão que em seguida lhe foi confiada foi o comando do Regimento de Dragões 5, então em serviço na Índia. Foi com pena que deixou o seu velho regimento; mas lançou-se no novo trabalho com todo o seu habitual entusiasmo e eficiência. Procurou que os seus soldados encontrassem a felicidade mesmo nas dificuldades e procurou conquistar-lhes rapidamente a confiança.

Mas a sua realização mais importante foi nos métodos de treino. Porque achava importante, procurou que a expedição se tornasse popular. Os homens eram divididos em pequenas unidades de meia dúzia – a que nós depois no Escotismo chamaríamos Patrulhas – sob o comando de um deles – o nosso Monitor. Aqueles que melhor desempenhassem os seus deveres tinham o privilégio de usar uma insígnia especial – uma Flor de Lis – que na bússola indica o rumo do Norte.

Em 1899 BP regressou a casa, mas logo se lançou noutro empreendimento. Trouxera consigo da Índia o manuscrito de um pequeno livro chamado “Aids to Scouting” (“Auxiliar do Explorador”) que continha as palestras que fizera aos seus soldados, com muitos exemplos de observação e dedução.

Antes que o livro fosse publicado, já ele estava de novo a caminhos da África do Sul, onde se preparava uma guerra com os Boers. A sua missão era organizar uma frente militar pronta para qualquer emergência.
Quando a guerra estalou estava ele em Mafeking com parte das suas forças.

Quase ao mesmo tempo, um exército Boer de 9.000 homens pôs cerco à pequena cidade. Não é o objectivo principal deste texto descrever a história do famoso cerco; contudo é justo salientar que foi nele que o nome de BP galgou as fronteiras de todos os países, tornando-se conhecido em todo o mundo, pois defendeu a cidade durante 217 dias das poderosas forças inimigas e foi graças à sua alegria e à sua desenvoltura (ao seu “desenrascamento”) que a cidade não foi tomada. Para os Escoteiros “Mafeking” tem uma grande importância. Os rapazes da cidade foram organizados num corpo de mensageiros e BP impressionou-se pela maneira como eles levavam a cabo as suas missões. Viu que, se lhes fosse confiada qualquer responsabilidade, eles se sairiam bem em qualquer ocasião.

Como reconhecimento do seu comportamento em Mafeking, B.P. foi promovido a Brigadeiro sendo o mais novo do Exército e herói do Reino Unido.
Outro fato, entretanto, lhe tinha chamado a atenção: vira que o seu pequeno livro “Aids to Scounting” tinha sido adotado como compêndio na educação da juventude. O fundador da Brigada dos Rapazes, Sir William Smith, pediu-lhe que adotasse os métodos de exploração à formação dos jovens.

BP estudou um plano e em 1907 fez um acampamento experimental na ilha de Brownsea, com duas dezenas de rapazes de todas as classes. Este acampamento foi tão bem sucedido que resolveu escrever tudo o que tinha ensinado à volta do “Fogo de Conselho”. Assim nasceu o “Escotismo para Rapazes”. Foi primeiro publicado em fascículos quinzenais, nos primeiros meses de 1908. Os rapazes buscavam-no por toda a parte e rapidamente formaram Patrulhas com os seus amigos.

O número cresceu depressa – pelos fins de 1908 havia 60.000 Escoteiros – e BP teve que se esforçar muito para conseguir inisígnias, uniformes, cartões de filiação, etc … Os últimos tempos passou-os no Quénia onde veio a falecer no dia 8 de Janeiro de 1941, após uma vida de inteira dedicação aos jovens.