Celebrações de maio

Por em 16 de maio de 2013

Já relatei aqui fatos ocorridos no mês de maio nos meus tempos de criança. Dona Ana, minha vizinha, percorria as casas próximas e, com uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, rezava o terço, a ladainha e, em procissão íamos em busca de outro morador para a reza do dia seguinte.

Mas outro fato não era único: na Igreja da Vila Arens a cena era parecida: todas as noites de maio havia procissão de entrada com entrega de flores a Nossa Senhora. A procissão tinha à frente as moças que faziam parte das “Filhas de Maria”, um grupo de mulheres solteiras e, vestidas de branco, com véu da mesma cor sobre a cabeça, uma fita azul no pescoço e outra na cintura e entregam pela nave central da Igreja.

À frente seguia a bandeira das “Filhas”, seguidas pelas moças e depois por todos os fiéis que depositavam as flores nas cestas colocadas junto ao altar e retornavam aos bancos, cantando hinos a Maria. Estas flores, no dia seguinte, estavam nos vasos ao redor da imagem de Nossa Senhora que estava em destaque no altar. Encerrada a procissão, era hora da reza do terço e os fiéis acompanhavam tudo isso ajoelhados, num símbolo de fé a Maria! Quando a cerimônia terminava, contavam-se os dias que faltavam para terminar o mês.

Nesta data havia a coroação da imagem de Maria e sempre uma criança era a escolhida para fazer isso. E como havia apenas o grupo de crianças da Cruzada Eucarística, todos os dias lá estávamos rezando o terço. Uma semana antes de terminar o mês, a coordenadora das Filhas de Maria procurava a coordenadora da Cruzada para a escolha da criança que faria a coroação. Eram necessárias cinco crianças: uma para segurar a coroa, outras três para segurar flores e uma outra para fazer a coroação. A que estava com a coroa passava para a outra coroar Maria.

E sempre a menor de todas fazia a coroação. Mas claro que as meninas tinham preferência, principalmente porque estavam vestidas de branco, também com véu sobre a cabeça. A diferença era a cor da fita: amarela. Mas um dia, a falta de segurança nas ruas, o crescimento da venda de televisão acabou tornando estas datas como simples recordação de todos nós! E as noites de maio ficaram marcadas em nossas memórias como algo que não volta mais…

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/