A obra de Mariazinha Congílio

Por em 5 de junho de 2015

O título pode parecer estranho, já que Mariazinha Congílio não se restringiu a apenas uma obra. Ideal seria no plural, mas está como está porque foi por conta de uma obra que a conheci. Mas, pensando bem, todo o conjunto se transforma numa grande obra: a obra de Mariazinha Congílio.

O ano era 1971 quando Mariazinha publicou o livro “Nem a favor nem contra, muito pelo contrário”. Foi o bastante para sugerir ao chefe de reportagem do Jornal da Cidade onde engatinhava como repórter, uma entrevista com ela. Entrevista aprovada e repórter escolhido: Eu! Mariazinha morava na rua Senador Fonseca, o que significa que fui até sua casa, com fotógrafo, a pé, já que a redação ficava na Praça das Bandeiras, onde na época havia uma escolinha e uma praça com lindas árvores e muito bem cuidada!

O sorriso nos lábios da escritora durou toda a entrevista: o comentar da obra, os detalhes da inspiração, e o desejo de que seus textos atravessassem o oceano. Mariazinha era assim: simples e ousada: um sonho de ver o mundo lendo seus textos. Entrevista encerrada, a despedida e o sorriso em seus lábios se perpetuou na minha memória!

Meu contato com a escritora e jornalista foi pequeno: três, quatro, no máximo. O primeiro, um telefonema marcando a entrevista, o segundo, a realização da mesma, o terceiro o agradecimento dela, ligando à redação para dizer que gostou do que leu publicado e o quarto… mais de 30 anos depois, quando nos encontramos – na verdade uma vez – numa reunião da Academia Jundiaiense de Letras.

Entrei na Academia em 2002, mas nesta época Mariazinha vivia mais em São Paulo do que por aqui e me lembro dela apenas numa reunião, quando a cumprimentei. Sorriu quando falei da reportagem de tantos anos passados. O sorriso era o mesmo do dia da entrevista. E foi num dia da reunião da Academia, em agosto de 2004, quando surgiu a informação de seu falecimento que, mais uma vez, me recordei daquele sorriso.

Mariazinha teve mais de 50 livros publicados. Escreveu para o Jornal de Jundiaí, Correio Popular de Campinas, escreveu sobre televisão para uma revista especializada. Ah! Claro! Como sonhava, como desejava, seus textos se eternizaram em muitos países, principalmente Portugal. Mas ela chegou à Itália, avançou para a língua inglesa e conquistou o mundo! E teve, claro, muitos prêmios ganhos, graças à beleza de seus textos!

Falar de Mariazinha é não esquecer seu sorriso que hoje, com certeza, ilumina cada manhã de seus familiares e conhecidos, como o primeiro raio do sol e se eterniza no final da tarde, com o brilhar da primeira estrela no céu!

 

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/