A alegria interrompida de Fábio Pontes

Por em 14 de julho de 2015

Conheci Fábio Pontes de Oliveira em 1997, quando trabalhamos juntos na Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Jundiaí. Fábio chegou como diretor, demonstrando competência e conquistou a equipe com seu sorriso permanente e uma alegria enorme de desenvolver projetos e trabalhar para que a ação de todos atingisse o objetivo maior que era atender bem os colegas de imprensa da cidade.

Sempre disposto a grandes ações, foi um dos organizadores e idealizadores de um encontro de comunicadores da cidade realizado um ou dois anos depois. Fez uma festa enorme na sala da Assessoria quando fui premiado no Primeiro Concurso de Romances da cidade. Exigiu matéria distribuída à imprensa com fotos, espalhou cartazes pelo local, me deixando inibido, diante de tanta felicidade. Ligou para os jornais para pedir destaque na reportagem, enfim festejou minha conquista.

Em 2000 deixei a Prefeitura para assumir a chefia de redação do Jornal de Jundiaí, houve nova eleição e Fábio foi elevado à função de Diretor de Cultura da cidade, mostrando, também ali, competência na realização de seu trabalho.

Perdemos o contato durante muito tempo e só fomos nos encontrar dez ou onze anos depois, quando Fábio foi morar perto de minha casa. Começamos a ir ao trabalho de ônibus e nos encontrávamos no ponto. Conversávamos sobre o final dos anos 90, imaginávamos o futuro. Mas o futuro não foi muito longo. Uma viagem sua à Fortaleza no final de 2011 para passar por lá o Reveillon não lhe permitiu chegar a 2012. Seus sonhos e projetos se afundaram numa onda qualquer que decidiu interromper sua caminhada e barrar sua alegria de viver.

Quando José Carlos Sacramoni me ligou na tarde do dia 27 de dezembro de 2011 para me dizer que você tinha partido, perguntei a ele se era você mesmo.

Afinal, tinha te visto no dia 24, subindo a rua de sua casa, quase ao lado da minha. E me lembrei das manhãs em que nos víamos. Um dia desses passei diante da casa onde você morou. Senti um vazio enorme naquilo tudo. Percebi que faltava a presença de seus quase dois metros de alegria e sorriso. Senti que o sol, neste dia, não quis atrapalhar o momento de reflexão. Me lembrei de sua partida quando percebi que Deus, em sua infinita misericórdia, abria os braços pra te receber.

E me fiz calar e refletir sobre o tamanho deste mundo, a rapidez de nossas vidas e uma saudade muito grande bateu forte dentro do meu peito. Sei que aquele ponto de ônibus não vai ter mais sua presença nas manhãs diárias, quando buscávamos nossos trabalhos. Mas sei, também, que vou sentir sua presença e seu sorriso, toda vez que passar por ali.

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/