Jornal de Itupeva refaz a “Via Dolorosa”

Por em 28 de março de 2016
Jornal de Itupeva

Sinta o peso da história em Jerusalém ao refazer últimos passos de Jesus

Entre a Sexta-Feira Santa e o domingo de Páscoa, uma boa parte do planeta relembra os dias em que, segundo a fé cristã, ocorreram o martírio, a crucificação e a ressurreição de Jesus. Esse período é chamado de ‘Páscoa’ e é um dos o momentos mais importantes para o Cristianismo. É o período que faz alusão a recomeço, vida nova, à ressurreição de Jesus Cristo. Sabendo disso, o Jornal de Itupeva, em mais uma produção própria, foi até Israel e preparou o especial “A Via Dolorosa – Os últimos dias de Jesus na Terra Santa”.

A produção conta com 50 minutos de duração e é apresentada pelo jornalista Luiz Carlos Izzo, responsável pelas imagens, texto e edição do trabalho.

“Já viajei por mais de 50 países, mas esta foi a reportagem que mais me emocionou. Quero, nestes 50 minutos, mostrar a trajetória de Jesus pelos locais mais sagrados do planeta, alguns jamais tocados por uma equipe de reportagem, a exemplo da gruta de José de Arimatéia, que teria sido utilizada como sepultura de Jesus, que é de acesso restrito. Apesar de ter visitado outras cidades de importantes passagens bíblicas, como Cafarnaum, Caná, Tiberíades, Jericó, Belém e Nazaré, diante a período de Páscoa, o vídeo foca diretamente a Via Dolorosa, também conhecida por ‘Via Sacra” ou “Via-Crúcis”, que foi é o trajeto seguido por Jesus carregando a cruz, que vai do Pretório (Fortaleza Antônia, que foi o local de seu julgamento) até o Calvário, na cidade de Jerusalém, que conta com mais de 3 mil anos de história. Essa foi a viagem mais emocionante que já fiz em toda minha vida. Vivi momentos de muita emoção e quero compartilhar com meus amigos um pouco destes momentos”, disse Luiz Carlos Izzo, produtor da reportagem.

O trabalho foi baseado na narrativa bíblica, que relata os últimos dias de Cristo, chegada a Jerusalém com destaque às quatorze estações da Via-Crúcis, principalmente a passagem pela basílica do Santo Sepulcro, onde Cristo foi crucificado. “São lugares realmente emocionantes. Eu pude ver muita gente por esses lugares, pessoas do mundo inteiro, africanos, europeus, que visitam a Terra Santa com muita devoção e fé. Isso passa uma energia muito forte que emociona”, disse o jornalista.

Lugares sagrados conhecidos como Sepulcros de Jesus

O palco desta história é a cidade de Jerusalém, que guarda em seu território dois sítios históricos que clamam ser os locais em que Cristo foi colocado na cruz, morto e sepultado. O mais famoso deles é a igreja do Santo Sepulcro, um complexo religioso que, hoje, é usado como lugar de adoração por representantes de diversas instituições do cristianismo, como a Igreja Católica Romana, a Igreja Ortodoxa Grega, a Igreja Apostólica Armênia e a Igreja Ortodoxa Etíope (os ortodoxos, porém, celebram a Páscoa em data diferente dos católicos romanos).

Porém, há outro lugar na Cidade Santa considerado, por muitos cristãos, como o possível local da crucificação, do sepultamento e da ressurreição de Jesus. Trata-se do Garden Tomb (Jardim do Túmulo), uma linda área verde situada no lado oriental de Jerusalém, hoje uma região habitada majoritariamente por palestinos. E o trabalho elaborado por Luiz Carlos Izzo leva em consideração as duas hipóteses, ou seja, o sepultamento de Jesus Cristo na 14ª Estação da Via Dolorosa (na retunda da igreja de Santo Sepulcro) e também no Jardim do Túmulo (Tomb Garden).

O próprio jornalista admite que não há absoluta certeza de que o Garden Tomb é o local da crucificação, sepultamento e ressurreição de Cristo. “Esse jardim é lindo. Tudo por lá coincide com o que está escrito na Bíblia Sagrada. O lugar transmite paz e leva os visitantes a refletirem sobre a vida de Jesus. Porém, o mais importante não é saber onde Jesus morreu ou foi sepultado, mas sim buscar conhecer as razões pelas quais ele morreu e ressuscitou, como faço questão de ressaltar no vídeo”, disse Luiz Carlos Izzo.

Santo Sepulcro
Entrar neste templo é, sem dúvida, um dos pontos altos de qualquer visita a Jerusalém. Em seus corredores escuros, franciscanos cruzam caminhos com clérigos gregos barbudos, enquanto os fiéis fazem fila para chegar perto do altar que marca o suposto local da crucificação de Jesus.

A igreja do Santo Sepulcro começou a ser construída no ano de 325 a mando de Helena, a mãe de Constantino, o primeiro imperador romano a se converter ao cristianismo. Durante uma peregrinação à Terra Santa, ela ordenou a demolição de um templo dedicado a Vênus (e erguido pelo imperador Adriano por volta de 135 d.C.) que existia em Jerusalém. Sob os escombros, teriam sido encontradas três cruzes e um túmulo que seria o sítio do sepultamento de Jesus. A edificação de um templo cristão no lugar começou logo em seguida.

Situado em uma cidade que, mais tarde, se veria ferozmente disputada por cristãos e muçulmanos, o complexo da igreja do Santo Sepulcro foi destruído, reconstruído e modificado algumas vezes nos últimos 17 séculos.

Hoje, porém, o templo mantém um ambiente propício para fascinar os amantes de história e levar às lágrimas os fiéis fervorosos. Além do suposto local da crucificação de Cristo, a igreja abriga outras quatro estações finais da via-crúcis, como os locais onde Jesus teria sido despojado de suas roupas e pregado à cruz.

Também está lá a Pedra da Unção, onde, após a crucificação, seu corpo teria sido enrolado num lençol de linho por José de Arimateia. Junto com o túmulo e o altar da crucificação, esta é uma das áreas que mais comovem os fiéis, que se ajoelham sobre a pedra para tocá-la e beijá-la.

Na parte onde as cruzes teriam sido erguidas, os visitantes podem ver um paredão rochoso marcado por uma fenda. Para os crentes, este é um indício do terremoto que teria atingido Jerusalém logo depois da morte de Jesus, como narrado em Mateus 27:50-51: “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras”.
É interessante também observar alguns dos mais importantes marcos da igreja do Santo Sepulcro sob os cuidados de diferentes instituições cristãs. O altar da crucificação, por exemplo, está sob responsabilidade da Igreja Ortodoxa Grega.

Já a 10ª estação da via-crúcis (o local onde Jesus teria sido despido) está com os franciscanos. E até membros da Igreja Copta do Egito marcam presença na área, com uma pequena área ao lado do túmulo sagrado.
Fato extremamente curioso: para evitar discórdias sobre quem é o verdadeiro dono do complexo religioso, as chaves da igreja do Santo Sepulcro ficam nas mãos de uma família muçulmana de Jerusalém.

Jardim do Túmulo (Tomb Garden)

Essa hipótese leva em consideração os Evangelhos, que fazem referência a um homem rico, membro do Sinédrio (o principal conselho judeu), que era bom, justo e temente a Deus. Este homem se chamava José e era de uma cidade judaica chamada Arimatéia. Por tudo isso, era chamado de José de Arimatéia. Segundo a Bíblia, ele teria estado com Jesus em sua condenação e observou de longe o calvário, vendo-o morrer na cruz. Foi ele quem tirou o corpo de Jesus da cruz e o envolveu num lençol de linho e o sepultou num túmulo feito na rocha, onde nunca ninguém havia sido sepultado.

Segundo informações de Phillip Ben Shmuel, gerente da organização cristã que cuida do Garden Tomb, há várias razões para se acreditar que foi no Tomb Garden que Cristo foi pregado na cruz e sepultado.

“Há indícios de que, antes da chegada dos romanos, este local era usado como campo de apedrejamentos realizados por judeus”, diz ele. “Quando os romanos dominaram a região, é de se supor que eles aproveitariam esse local de execuções para realizar suas crucificações. Tumbas também foram encontradas no século 19 nesse terreno”.

Do jardim é também possível ver, ali bem perto, uma colina com um conjunto de formações rochosas que lembram uma caveira. Para Shmuel, esta paisagem seria o famoso “gólgota” citado na Bíblia – que significa “lugar da caveira” e que é o nome dado à colina onde Jesus teria sido crucificado.

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