Carismático e afiado: Ciro Gomes vê disputa com Alckmin no 2º turno

Por em 11 de dezembro de 2017
Carismático e afiado: Ciro Gomes vê disputa com Alckmin no 2º turno

Participando do Encontro Regional do PDT, que aconteceu neste domingo, dia 10, na Câmara Municipal de Jundiaí, o pré-candidato a presidente da legenda para às eleições de 2018, Ciro Gomes, usou de sua oratória em conjunto com criticas contundentes com o intuito de explicar: “O que aconteceu para o Brasil chegar onde chegou e como poderemos mudar isso?” e em entrevista, disse não acreditar na candidatura de Lula e que crê na disputa com Alckmin no segundo turno.

“O que nós estamos fazendo este domingo, nesta cidade querida, linda, de tantos restaurantes, de tantos hotéis, de tanta hospitalidade, reunidos aqui, descambando para o meio dia, longe de nossas famílias? Nós estamos fazendo política, estamos fazendo aquilo que é mais hiperativo em uma comunidade doente, como a comunidade nacional brasileira está. E no sentido superior, tenho repetido por onde ando, o sentido moral desse nosso Encontro é compreender com o nosso Coração e com a nossa cabeça ‘O que está acontecendo?’, para que nós sejamos capazes de influir no debate nacional brasileiro. Eu como velho militante da luta brasileira, eu não aceito, isto tem feito muito mal ao Brasil, que se reduza a nossa sociedade, maravilhosa e complexa, difícil e linda, que ela seja reduzida a esta divisão odienta, que quase está descambando para a violência, que quer nos dividir entre coxinhas e mortadelas”, disse Ciro Gomes.

Ciro chegou à Câmara com um sorriso tímido e sincero, de quem não esperava encontrar, em plena manhã deste domingo, o palco do legislativo municipal com mais de 150 pessoas, escola de samba, rojões e ao descer às escadas cumprimentou um misto entre admiradores e filiados,  sendo acompanhado pelo presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, e de Gerson Sartori (político com uma das principais trajetórias na região como líder sindical, sendo filiado ao PT e PSD e vereador por dois mandatos, sendo presidente da Câmara entre os anos de 2013-2014 e pré-candidato a deputado federal) logo usou de sua capacidade de oratória para dominar os presentes.

O encontro contou com autoridades de toda a região, como os vereadores da Itupeva: Eri campos (PSB) e Ana Paula Marciano (PTB).

Como presidente do PDT em Jundiaí, Sartori fez o papel de bom anfitrião, valorizando o currículo dos presentes no evento:

“Para construir, a gente tem que olhar para o lado e ver quem tem história e trajetória e aqui nós estamos com gente com muita história e trajetória. Aqui, nós temos o Carlos Lupi, que foi ministro do trabalho deste país e que se estivesse lá não estariam fazendo isso com os trabalhadores, não teria uma reforma trabalhista dessa, não teria uma reforma da previdência dessas. Aqui nós temos o Neto, o Medeiros, o Chinelo, que são sindicalistas há mais de 30 anos, que acompanharam toda a história do movimento sindical neste país e que sabem de como estamos sofrendo e sobre o que estamos falando. E aqui nós temos também o próximo presidente da república, uma pessoa preparada, com conteúdo e acima de tudo uma pessoa com coragem para enfrentar os desafios, como é o caso do Ciro.”.

Carlos Lupi manteve o tom de critica ao atual governo de Temer, mas não deixou o humor de lado, lembrou como trouxe Ciro Gomes de volta para política. Lembrou com carinho do jeito de falar e de algumas frases como “A educação é o único caminho para emancipar o homem”, de Leonel Brizola, nome que está escrito na história do país, e fundador do PDT. “O grande desafio da democracia é ser líder de homens e mulheres livres e m nome destes homens e mulheres livre é que precisamos de Ciro Gomes na presidência! Não tem um brasileiro que tenha o conhecimento profundo da economia que esse homem tem! E não tem um político no Brasil que tenha a coragem de tocar, abrir, e ir ao câncer da sociedade moderna que é o sistema financeiro e dizer ‘comigo não passa! ’”, enfatizou Lupi.

As entradas e cabelos brancos eram provas físicas da experiência de Ciro em sua vida política, na qual foi Deputado Estadual; Prefeito de Fortaleza; Governador do Ceará; Ministro da Fazenda; Ministro da Integração Nacional; Deputado Federal e candidato a presidente nas eleições de 1998 e 2002. Mas a maior amostra de que o tempo fez bem a Ciro foi que o político tido nos anos de 1990 e no começo do século XXI como destemperado, mas com serenidade ele falou por mais de 30 minutos no qual detalhou a atual situação econômica e o que se pode fazer para reverter este quadro, muitas vezes, Ciro trouxe em suas palavras a dureza, mas sempre contextualizada com os assuntos que ele falava, arrancando muitas vezes aplausos de quem estava presente na Câmara.

“O que nós precisamos tentar impor ao debate e essa é a tarefa da militância do PDT, e eu estou a isso devotado 24 horas por dia, sem descanso e nem reserva são duas perguntas: ‘O que é que aconteceu para chegar onde estamos?’ e a segunda pergunta que é a mais importante, mas a primeira tem que ser respondida, é “O que fazer e como fazer desta encalacrada socioeconômica”?”, destacou Ciro, enfatizando que está será a missão do partido para o próximo pleito.

“Nós precisamos reformar o país, nós do PDT não temos medo de reformar, porque se nós estamos com este quadro é porque a institucionalidade não presta e nós temos que colocar ela toda em debate, mas esse debate tem que ser guiado por alguns valores e é o que nos distingue (do atual governo), é para proteger o mais frágil, é para proteger quem produz, é para proteger quem trabalha e enfrentar a ladroeira e a especulação financeira”, completou Ciro.

O pré-candidato ainda assinou um termo de compromisso com o Movimento Intersindical da Região de Jundiaí, no qual se ele for eleito irá revogar a lei 13.467 da Reforma Trabalhista.

Coletiva de imprensa
O pré-candidato recebeu a imprensa local antes de formar a mesa para o evento. Durante quase 10 minutos o político cearense respondeu perguntas sobre o atual governo; Lula; Bolsonaro; Segundo turno e governar um país dividido.

“O plano de um candidato ou de um pré-candidato é ter mais voto que os adversários e ganhar eleição e a gente acredita que isso é possível porque sabemos e temos a experiência que a vida não é uma foto, não é uma fotografia e a pesquisa é. A vida é um filme e no caso brasileiro será um filme brasileiro com grandes emoções e um final provavelmente muito inesperado”, disse Ciro de forma bem humorada, mas faliu que crê em uma disputa entre ele e o atual governador do estado, Geraldo Alckmin: “eu tenho a impressão que a disputa será entre eu e o Alckmin no final, porque você tem algumas clarezas: O lula é candidato? Esse é o grande momento de virada nesse filme de suspense, eu acho que não. A Marina é candidata? Não vejo assim. Quanto tempo o Bolsonaro aguenta quando ele começar a ser comparado e quando a população passar do protesto para exigir coisas um pouco mais elaboradas, com soluções um pouco menos simplórias que hoje ele expressa a população.”.

Ele tem a convicção de que com o tucano pode-se desenvolver um debate: “Acredito que, com Alckmin, conseguiremos fazer um debate que, se depender de mim, não vai ser ‘Chico’ contra ‘Mané ’. Vai ser um debate para esclarecer ao povo duas perguntas: O que aconteceu para o Brasil chegar onde chegou e o que podemos fazer para tirar o país desse caminho?. O resto é ‘frufru’, confusão e barulheira, porque não interessa à população”, disse.

Mesmo acreditando que Lula não será candidato, Ciro rechaça a possibilidade entre PDT e PT: “Não acho provável, a natureza do PT sempre será ter um candidato próprio.”.

O lado amistoso foi deixado de lado quando Ciro foi questionado sobre o governo Temer: “Na verdade nós não temos um governo, é uma quadrilha que se encastelou usurpando o poder para cumprir uma agenda que não é uma agenda nacional e nem agenda popular do país.”.

O pré-candidato também falou do futuro quando perguntado “Como governar um país dividido?”: “É fazer um esforço permanente de unir. Agora, essa unidade do país não pode ser feita em nome de situacionismo pouco crítico, precisamos unir o país em torno de projetos concretos, por exemplo, eu defendo que o Brasil tem que interromper a desindustrialização, nos anos de 1980 nós tirávamos 30% da nossa riqueza da indústria e hoje estamos tirando 11%, voltamos ao nível de 1947. Tem gente que não gosta, que acha que o Estado não tem que se meter na economia, só que isso não tem precedentes na história da humanidade.”.

Thales Mileto