O que veio depois…

Por em 6 de fevereiro de 2020

Quando deixei o Jornal de Jundiaí, aposentado que estava, decidi finalizar meu segundo livro “Contos e Crônicas de Natal”, pretendendo lançá-lo ainda em 2007. Neste processo de finalização, acabei, em setembro, sendo convidado por Anelso Paixão, que era professor e estava indo para o Estadão, para dar aula na faculdade. Por uma questão de ética, já que entre 2007 e 2009 passei por duas faculdades, não vou citar o nome delas aqui e o leitor vai logo entender o porquê. Apesar de ser chamado de professor – e avisara os coordenadores dos cursos sobre isso – não tinha experiência na arte de ensinar.

O que eu passava para os futuros profissionais, era minha experiência, com mais de 30. No meu último ano como professor vivi duas situações estranhas: a primeira delas, reprovei um aluno por não comparecer ao exame de final de semestre. Como o aluno reclamou com a coordenação, esta sugeriu que lhe desse uma prova extra e a nota alterada na Secretaria da Faculdade.

A justificativa foi simples: o aluno era bolsista e que – segundo o responsável pelo curso – deixaria a faculdade caso fosse reprovado. Ordem determinada, ordem cumprida, nota alterada, aluno aprovado! Formado, ele se tornou professor na mesma faculdade. No final do ano, durante apresentação de um Trabalho de Conclusão de Curso por um dos alunos e depois de vários questionamentos feitos por mim ao jovem que queria ser jornalista e como não obtive respostas, imaginei que poderia reprová-lo. Triste sonho: professor responsável pelos TCCs informou à banca que o aluno não poderia ser reprovado. De volta à classe e informado que fora aprovado, percebeu-se um murmúrio entre os demais alunos presentes. Como não era professor, já disse isso, no ano seguinte não estava mais nas classes de jornalismo.

E foi exatamente neste período que caiu a obrigatoriedade de diploma para se exercer a função de jornalista. Foi durante este período, mais precisamente no final de 2008, que passei pela redação do Jornal da Cidade, localizada numa rua desconhecida, praticamente escondida da cidade. Ali, substitui Solange Spiandorin, chefe de reportagem, e que entrava em férias. Não fiquei mais que dois meses. O segundo pagamento saiu no dia 20 do mês seguinte e sentia que a redação não tinha fôlego para trabalhar sem dinheiro no bolso. Deixei a redação! Em 2010 passei, a convite do então prefeito Miguel Haddad, os dois últimos anos de sua administração, trabalhando na assessoria de imprensa. Mandato concluído, me vi completamente aposentado. Lembra o leitor que sugeri à direção uma pessoa mais jovem para assumir a função em meu lugar.

Mas já estava definido que seria Sidney Mazzoni, que havia deixado o grupo do Estadão. Mazzoni ficou no comando da redação do JJ de junho de 2007 a julho de 2012, tendo falecido repentinamente após deixar a redação num final de tarde de sábado. Para seu lugar, a direção escolheu Sandra Marques, mas esta havia acabado de prestar concurso na Caixa Econômica, na área de Assessoria de Imprensa e se demitiu dias depois. Sandra hoje mora no Rio de Janeiro. Com sua saída repentina – a segunda em menos de um mês – a direção colocou, provisoriamente, na função, Daniele Ruiz que no meu tempo ganhou o cargo de editora de Política.

Daniel nem terminou o ano de 2012. Foi substituída por Fábio Pescarini que era editor-chefe do Bom Dia e foi ocupar a mesma função no concorrente. Sua permanência na função no JJ não chegou a um ano e Pescarini retornou ao Bom Dia. Hoje ele trabalha no jornal Agora do grupo Folha de S. Paulo. Para substituir Pescarini a direção chamou provisoriamente Daniele Ruiz. Mas ela jamais chegou a ocupar definitivamente a função. Em 2015, Marco Sapia, que fora chefe de reportagem e deixou o JJ para ir para a Difusora, retornou ao jornal, como editor de online. No ano seguinte, ele assume como editor-chefe do JJ, função que ocupou até 2017. Sem receber corretamente seus salários, como ele chegou a me dizer, deixou a função para, em janeiro de 2018, lançar o jornal online “Jundiaí Agora” que existe até hoje.

Com a saída de Sapia, o cargo voltou a ser ocupado por Daniele Ruiz para, finalmente, ser substituída por Ariadne Gatolini que foi contrata por mim e que está na função de editora-chefe até hoje. Em pouco mais de 12 anos após minha saída, o cargo de editor-chefe do JJ foi ocupado por seis pessoas, uma delas por três vezes. Uma média de dois anos cada. Mesmo que poucos tenham chegado a este tempo.

Nelson Manzatto

Jornalista profissional desde 1976 e escritor desde 1998 quando publicou seu primeiro livro. Membro da Academia Jundiaiense de Letras desde 2002 onde ocupa a cadeira número 39. Publicou os seguintes livros: “Surfistas ferroviários ou a história de Luzinete“, em 1998; “Contos e Crônicas de Natal”, em 2007 e "Momentos - Crônicas de Nelson Manzatto", lançado em 2012 durante a 22ª Bienal Internacional do Livro. http://blogdonelsonmanzatto.blogspot.com.br/