Doria quer salões, barbearias e academias fechados em SP

Por em 13 de maio de 2020
Doria quer salões, barbearias e academias fechados em SP

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) disse nesta quarta-feira, 13, que academias e salões de beleza permanecerão fechados no estado, como medida para conter a disseminação do novo coronavírus. Doria destacou que a decisão é válida para todos os municípios do Estado de São Paulo.

Nessa terça-feira, 12, Duarte Nogueira (PSDB), anunciou que, em Ribeirão Preto, os salões de beleza e barbearias serão liberados para voltar a funcionar. Um decreto para regulamentar esse retorno deve ser publicado nesta quarta-feira, 13, no Diário Oficial do município. Contudo, o futuro das academias ainda é incerto. “Quanto à questão das academias, tanto o Comitê Técnico de Contingência e o Grupo de Retomada, ainda não estavam preparados para as regras de funcionamento de academias, sequer havíamos cogitados que elas poderiam funcionar”, declarou Nogueira. O prefeito argumentou que as decisões do Ministério da Saúde, do Comitê Técnico e do Grupo de Retomada, deverão guiar a abertura ou não desses estabelecimentos.

Originalmente, a Prefeitura esperava reabrir os estabelecimentos de beleza no dia 27 de abril. Porém, foi impedida após uma decisão da Justiça que exigia que a Prefeitura seguisse o que havia sido proposto pelo governo do Estado.

Um decreto presidencial colocou esses tipos de estabelecimento como serviços essenciais, para permitir a reabertura durante a quarentena. O governador de São Paulo argumentou que a suspensão do funcionamento segue orientação do comitê de saúde estadual.

“O secretário de saúde de São Paulo [José Henrique Germann] e nosso comitê de saúde nos indicam que ainda não temos condições sanitárias seguras para autorizar a abertura de academias, salões de beleza e barbearias neste momento. Respeitamos todos esses profissionais, mas nosso maior respeito por esses profissionais é garantir suas vida”, disse o governador.

Segundo o diretor do Instituto Butantan e coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Dimas Covas, a decisão se baseou no fato, por exemplo, de que academias são ambientes de grande presença de secreções, o que facilita a infecção pelo novo coronavírus. “Com relação às academias, ela é um local onde as secreções são abundantes. E outro ponto importante: quem faz exercício físico de máscara é muito difícil de respirar. Além disso, a máscara umedece muito rápido, deteriorando a qualidade de proteção da máscara. E em terceiro, para higienizar esse ambiente, isso teria que ser feito a cada uso. E isso é muito complicado do ponto de vista sanitário”, argumentou.

Já com relação aos salões de beleza, Dimas Covas, que também é diretor do Homocentro do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, relatou que o problema principal é a proximidade entre cliente e profissional. “O contato físico é muito próximo. Ela vai tocar na pessoa [cliente]. Ela vai tocar no rosto da pessoa, nos cabelos da pessoa. Do ponto de vista de controle da infecção, essas são situações de risco”, falou ele.

Medidas

O governador anunciou hoje a liberação de R$ 30 milhões, a partir de amanhã, para abertura de 350 novos leitos na Baixada Santista para tratamento dos casos do novo coronavírus. Desse total, 50 são de unidades de terapia intensiva (UTI).

Os leitos serão abertos nas cidades de Santos, Praia Grande e Itanhaém. Segundo o governo paulista, a Baixada Santista é hoje a segunda região do estado com mais casos de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Fica atrás apenas da região metropolitana.

O estado paulista tem, até o mais recente boletim divulgado, 51.097 casos confirmados de covid-19, e 4.118 pessoas mortas por complicações da doença . Há 3.703 pacientes internados em UTI e 5.950 em enfermarias. A ocupação de leitos de UTI em todo o estado está em torno de 68,3%, enquanto na Grande São Paulo está em torno de 87,2%.

Isolamento

Já a taxa de isolamento social em todo o estado permanece baixa, segundo padrões estipulados pelo governo. Ontem (12) ela atingiu apenas 47%, bem abaixo do valor mínimo considerado como satisfatório pelo governo paulista, de 55%.

Fonte: Arte Revide